sábado, 11 de abril de 2026

Fortaleza dos Sonhos - 300 anos da Capital Cearense

 13 de abril de 2026

À NOSSA FORTALEZA - livro comemorativo ao Tricentenário da capital do Ceará, produzido e lançado pelas Edições Fundação Sintaf, também traz a crônica da fazendária e professora municipal, a escritora Gláucia Lima:

      FORTALEZA DOS SONHOS

_ por Gláucia Lima*

“Amar e mudar as coisas me interessam mais!” Belchior

Fortaleza inclusiva, diversa, cultural, ecológica, com mobilidade, segurança e memória! Porque tudo principia na composição de sonho.

FORTITUDINE: Força, Fortaleza!


Capital da Terra da Luz, do 1º Estado brasileiro a abolir a escravidão, pior mácula das terras brasilis. Terra das Marias: Maria da 1ª prefeita de capital - Mª Luíza Fontenele (PT); Mª da Penha; Maria da sua Padroeira, N. S. Assunção; Terra dos Josés: seu marido e Padroeiro do Ceará; de Franciscos, Franciscas e do Frei Tito; de Santos e Orixás; de Axé e Saravá!

Sonhamos com uma Fortaleza onde a diversidade religiosa conviva pacificamente em sinal de amor aos seres humanos que a habitam, com direito de ser ateu ou de ter fé.


“Resistir ao invés de existir!” 
Francisca Clotilde


Capital onde, mais que celulares nas mãos, as crianças e juventude tenham, em suas mentes, a história de uma professora, a escritora Francisca Clotilde, 1ª mulher a escrever sobre o divórcio. Dona Chiquinha, como era tratada por seus alunos, foi pioneira ao falar do tema na Literatura Brasileira, em A Divorciada.

Que conheçam a fundadora da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, Henriqueta Galeno e do pai Juvenal Galeno, autor de “CANÇÕES DA ESCOLA”, distribuídas para serem cantadas, que o consagrou como "Poeta da Juventude" e do “Cajueiro Pequenino” gravado no CD Areia do Mar (1996) pelos 30 anos do Grupo de Tradições Cearenses, fundado pela professora Euzenir Colares. Ela, a própria marca das Tradições locais e internacionais.

“...a vida sem sonhos é muitíssimo mais ‘fácil’. Sonhar custa caro. E não digo só em moeda corrente do País, mas daquilo que forma a própria substância dos sonhos". Mesmo discordando da cearense Rachel de Queiroz, 1ª mulher da Academia Brasileira de Letras, pois não creio a vida sem sonhos, repiso: tudo principia na composição de sonho.

Sonhamos uma metrópole com referencial ético e plural, voltada à justiça social e ao respeito ao próximo. Antifascista e antirracista, pacífica e democrática. Sonhamos uma metrópole em ascensão com qualidade de vida, livre do moralismo frio e caduco. Sonhamos com emancipação e dignidade humana. Isso é vida, e mais do que sonho, pode ser realidade.

Sonhamos com melhores condições de acessibilidade e mobilidade. Porém, parabenizando-a por ser a 3ª cidade da América Latina mais apta para ciclistas!

No tempo dos "cara pintadas", eu já era jovem mãe. Mas nunca faltamos uma manifestação. Só que quem ia de "cara pintada" era meu pequeno Tonny Ítalo.

Percorríamos os principais pontos de Fortaleza: Beira-mar, Barra do Ceará à Praça do Ferreira ou do Liceu. Protestar era nossa escola. Assim, seguimos defendendo a Educação pública de qualidade e onde a estudantada e profissionais se vejam refletidos.

O que nos domina e impõe um poder desrespeitoso é violento.

Fortaleza nos dá a “força” de seguir profissão. Tantos migram do interior para a Capital. Comigo não foi diferente. Apesar de radicada desde a infância, jamais neguei que sou "sertaneja nata", do sertão central cearense: Mombaça. Sou professora municipal de Fortaleza, no meu ponto de vista, a mais importante profissão; e a mais "relevante" para o tesouro do Estado: fiscal fazendária.

Na capital pari dois filhos e uma filha. Aqui também fui cravada pela dor mais lancinante: perdi um filho para a violência urbana. Por isso só compreendo segurança com educação, distribuição de renda e solidariedade. Sem estas três coisas, difícil alcançar a vida ideal de convívio numa grande cidade.

Um dia, ao entrar na sede dos bombeiros, li: “Quando a força bruta ofusca a razão, a prepotência suplanta a lei. [...] Que este lugar, onde a dor e o medo fez escala (onde encarceraram Rachel de Queiroz), se transforme numa prova definitiva da inutilidade dos governantes que oprimem adversários políticos e expresse uma incessante exaltação aos que lutam em defesa da liberdade.”

Prefeito de Fortaleza: Evandro Leitão (PT)

Também por isso, celebro estes 300 anos de Fortaleza com a alegria e o "alívio" de ver no Executivo o fazendário Evandro Leitão (PT), quando a capital quase flertou com o obscurantismo.

Costumo dizer: "quando brilha uma estrela", referindo-me às possibilidades que queremos construir. E não é "sonho". É a realidade pela qual nossa cidadania nos impele a lutar, porque a luta continua!

Seguimos sonhando uma Sociedade com um olhar mais solidário e responsável com a pessoa preta, pobre, periférica. Sociedade da partilha, da distribuição de renda e da denúncia do acúmulo de riquezas.

Sociedade sem machismo e inclusiva, onde a arte sobressaia o lucro e seja libertadora de direito e de fato. Sociedade essa que acredito só poder ser construída com educação acessível e de qualidade. A Sociedade dos sonhos cuida da Mãe Terra, do Equilíbrio Ambiental, opta por energias limpas e renováveis.

Vamos "esperançar" para construir e ver surgir a sociedade de não violência, de alegria, saudável, ecológica, sociável e de muita paz!

Vamos sonhar, minha gente, sonhar e lutar. Senão, nada acontece. “FORTITUDINE”!

 
*Gláucia Lima – escritora, fazendária e professora aposentada (de espanhol da Prefeitura Municipal de Fortaleza, no IMPARH), coordenadora do FMFi (leia-se: “femefi”) - Fórum de Mulheres no Fisco, presidenta da Casa da Amizade Brasil-Cuba/CE e do Instituto Tonny Ítalo – InsTI 10 anos.

#CubaNoEstáSola      #PalestinaLivre


À NOSSA FORTALEZA 

Lançamento do livro “À Nossa Fortaleza” aconteceu em Sessão Solene na Câmara Municipal de Fortaleza, dia 10/04/26 a partir das 9h, presidida pela Vereadora Prof.ª Adriana Almeida.

Obra reúne produções de artistas de múltiplas linguagens (crônica, poesia, gravura, cordel e canção) que traduzem, sob diferentes olhares, experiências e afetos ligados à cidade. Livro conta com a participação de Gláucia Lima (presidenta da Casa da Amizade Brasil-Cuba e do Instituto Tonny Ítalo – InsTI 10 anos). 


🎁 Considerado um presente da categoria fazendária para os 300 anos de Fortaleza, a maioria das participações são de servidoras e servidores fazendárias(os) que compartilham suas histórias com a capital, incluindo o Prefeito Evandro Leitão.

Carlos Brasil - SINTAF, Gláucia Lima, Vereadora Prof.ª
Adriana Almeida e Liduíno Brito - Fundação SINTAF

📕O escritor Mailson Furtado, vencedor do Prêmio Jabuti 2018, é o editor-geral do livro que tem a produção das Edições Fundação SINTAF.


 

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário