terça-feira, 22 de setembro de 2026

A Luta Continua, Companheiro Arruda!

 Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Júnior |☆18/11/1953 - †22/09/2026: Memorialista, Militante e Fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) - Funcionário da ALECE.

«Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!»

Arruda chegou com Illiana na sede da associação da categoria fazendária, julho de 2003. Era posse no nosso sindicato (Sintaf) e eu tentava escrever algo, rabiscando alguma coisa pra ler na ocasião, pois seria uma das empossadas.

Ele me citou esta frase de Cecília Meireles e eu logo tratei de colocar em meu texto... “Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!”

Engraçado que lembro do Arruda sempre com sorriso. Lembro de suas campanhas, com boneco gigante e tudo, lembro dos seus apoios às campanhas petistas e/ou de esquerda (sempre) no nosso Estado e lembro dele enlouquecidamente cruzando o espelho d’água no Planalto na primeira posse de Lula.

Eu, ainda na posse de Dilma, em Brasília 2015, ele já rabiscava o texto que logo pus no Blog Ser ¡Voz! Nunca na história desse País, uma Mulher reeleita. ✊🏽  🔗 no link → https://glaucialimavoz.blogspot.com/2015/01/nunca-na-historia-desse-pais-uma-mulher.html

“O impossível se faz já; só os milagres ficam para depois!” Dilma Rousseff, em discurso de Posse, 1° de janeiro de 2015

Encontramos nas palavras do companheiro de tantas lutas, sejam elas políticas, artísticas e de servidores públicos, *Cartaxo de Arruda Júnior, a expressão do sentimento que nos absorveu. Por isso, foi o texto escolhido para ilustrar a matéria.

Arruda conseguia traduzir nosso sentimento de brasilidade e nordestinidade nas lutas que seguimos travando. Pois, a luta, a “Luta continua, companheiro!”

E, como você bem disse, Arruda: “VENCEMOS. E vencemos uma enorme conjunção de forças poderosas e aglutinadas.” Afinal, em pouco menos de 13 dias votaremos, de novo, em Lula. ¡Hasta siempre! E na Luta!!! VENCEREMOS!

“Arrudinha, como eu o chamava, era louco, incansável, anarquista, lulista, petista, comunista, criativo, militante, agitador cultural e político e um ser humano honrado, digno, honesto, uma pessoa maravilhosa.” Tião Ponte

Teríamos muito a falar do camarada Arruda, mas seu sobrinho nos oferendou um belo texto que reproduzo aqui:

por Gláucia Lima – sua amiga

“ARRUDA, REBOCO E AS COISAS SIMPLES

Luiz Edgar Carrtaxo de Arruda Jr. Muitas vezes se portava como Junior, outras tantas como Arruda.

Junior, talvez, por ainda morar com a mãe quando já contava seus setenta e tantos anos — um dos seus vastos defeitos, diriam alguns. Mas quem sou eu para julgar o amor e a relação entre um filho e sua mãe?

Comecei a chamá-lo de Junior quando já era mais velho, às vezes até desdenhando daquele amor tão profundo que tinha pela minha avó. Hoje, olhando para trás, penso que talvez fosse justamente ali que estivesse uma das maiores expressões do seu caráter. Arruda tinha um dos maiores corações que já conheci.

Era intenso. Apaixonado pelos seus ideais. Tinha seus vícios, como todos temos, suas contradições e suas fraquezas. Mas havia nele uma paixão verdadeira pela natureza, pela política, pelas árvores, pelas praças e, sobretudo, pelas pessoas.

No meio de uma de suas elucubrações, um dia me disse uma frase que ficou comigo para sempre:

“Você faz política diariamente, mesmo que não goste de política.”

Era assim Arruda. Via política onde muitos não viam nada. Via valor naquilo que parecia pequeno. Escreveu artigos em jornais defendendo praças e árvores. Lutou por coisas que, para muitos, não mereciam sequer uma discussão. Talvez porque soubesse que são justamente essas coisas aparentemente pequenas que dão forma à vida de uma cidade e à memória de quem vive nela.

E talvez seja por isso que penso na sua arte, no seu Reboco.

O reboco é aquilo que normalmente se esconde. É a camada que cobre, protege, prepara a parede. Não costuma ser o acabamento celebrado. Quase ninguém olha para ele. Mas é ele que está ali, sustentando, dando forma, fazendo parte da construção.

Arruda também tinha algo de reboco.

Não buscava o brilho. Não tinha grandes ambições pessoais. Mas tinha ideias inabaláveis. Podia ser fraco em alguns aspectos, contraditório em outros, mas era grande justamente nessas coisas simples que hoje parecem esquecidas: a gentileza, a generosidade, o respeito, a capacidade de conversar, de acolher, de se indignar por uma árvore ou por uma praça.

Tratava com o mesmo respeito o governador e o compadre que lhe servia a cachaça numa viela da favela. Não fazia distinção entre a importância de um cargo e a dignidade de uma pessoa.

Talvez essa seja uma das maiores lições que deixou.

Arruda não precisava ser perfeito para ser grande.

Era humano demais para isso.

Tinha defeitos, manias, vícios, contradições. Mas tinha também uma capacidade rara de amar aquilo em que acreditava. E, quando acreditava em alguma coisa, era difícil fazê-lo recuar.

Hoje sinto sua falta.

Sinto falta das suas elucubrações, das conversas, das provocações e até dos seus defeitos.

E olhando para o Reboco, penso que talvez sua arte seja também um pouco de sua própria maneira de estar no mundo: aparentemente simples, às vezes imperfeita, mas carregada de memória, de matéria, de história e de vida.

Porque há pessoas que passam pela nossa vida como acabamento.

E há outras que, mesmo sem percebermos, fazem parte da estrutura.

Arruda era dessas.

E agora, quando penso nele, penso também nas coisas simples que ele tanto valorizava — uma árvore, uma praça, uma conversa, um copo de cachaça, uma ideia defendida até o fim.

Coisas que parecem pequenas.

Mas que, no fim, são justamente as que permanecem.

Sentirei muito a sua falta, Arruda.”

por Pedro Cartaxo Arruda Linhares – seu sobrinho


 

sábado, 11 de abril de 2026

Fortaleza dos Sonhos - 300 anos da Capital Cearense

 13 de abril de 2026
                                     _atualizado: 13/04/26

À NOSSA FORTALEZA - livro comemorativo ao Tricentenário da capital do Ceará, produzido e lançado pelas Edições Fundação Sintaf, também traz a crônica da fazendária e professora municipal, a escritora Gláucia Lima:

      FORTALEZA DOS SONHOS

Gláucia Lima*

“Amar e mudar as coisas me interessam mais!” Belchior

Fortaleza inclusiva, diversa, cultural, ecológica, com mobilidade, segurança e memória! Porque tudo principia na composição de sonho.

FORTITUDINE: Força, Fortaleza!


Capital da Terra da Luz, do 1º Estado brasileiro a abolir a escravidão, pior mácula das terras brasilis. Terra das Marias: Maria da 1ª prefeita de capital - Mª Luíza Fontenele (PT); Mª da Penha; Maria da sua Padroeira, N. S. Assunção; Terra dos Josés: seu marido e Padroeiro do Ceará; de Franciscos, Franciscas e do Frei Tito; de Santos e Orixás; de Axé e Saravá!

Sonhamos com uma Fortaleza onde a diversidade religiosa conviva pacificamente em sinal de amor aos seres humanos que a habitam, com direito de ser ateu ou de ter fé.


“Resistir ao invés de existir!” Francisca Clotilde
Capital onde, mais que celulares nas mãos, as crianças e juventude tenham, em suas mentes, a história de uma professora, a escritora Francisca Clotilde, 1ª mulher a escrever sobre o divórcio. Dona Chiquinha, como era tratada por seus alunos, foi pioneira ao falar do tema na Literatura Brasileira, em A Divorciada.

Que conheçam a fundadora da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, Henriqueta Galeno e do pai Juvenal Galeno, autor de “CANÇÕES DA ESCOLA”, distribuídas para serem cantadas, que o consagrou como "Poeta da Juventude" e do “Cajueiro Pequenino” gravado no CD Areia do Mar (1996) pelos 30 anos do Grupo de Tradições Cearenses, fundado pela professora Euzenir Colares. Ela, a própria marca das Tradições locais e internacionais.

“...a vida sem sonhos é muitíssimo mais ‘fácil’. Sonhar custa caro. E não digo só em moeda corrente do País, mas daquilo que forma a própria substância dos sonhos". Mesmo discordando da cearense Rachel de Queiroz, 1ª mulher da Academia Brasileira de Letras, pois não creio a vida sem sonhos, repiso: tudo principia na composição de sonho.

Sonhamos uma metrópole com referencial ético e plural, voltada à justiça social e ao respeito ao próximo. Antifascista e antirracista, pacífica e democrática. Sonhamos uma metrópole em ascensão com qualidade de vida, livre do moralismo frio e caduco. Sonhamos com emancipação e dignidade humana. Isso é vida, e mais do que sonho, pode ser realidade.

Sonhamos com melhores condições de acessibilidade e mobilidade. Porém, parabenizando-a por ser a 3ª cidade da América Latina mais apta para ciclistas!

No tempo dos "cara pintadas", eu já era jovem mãe. Mas nunca faltamos uma manifestação. Só que quem ia de "cara pintada" era meu pequeno Tonny Ítalo.


Percorríamos os principais pontos de Fortaleza: Beira-mar, Barra do Ceará à Praça do Ferreira ou do Liceu. Protestar era nossa escola. Assim, seguimos defendendo a Educação pública de qualidade e onde a estudantada e profissionais se vejam refletidos.

O que nos domina e impõe um poder desrespeitoso é violento.

Fortaleza nos dá a “força” de seguir profissão. Tantos migram do interior para a Capital. Comigo não foi diferente. Apesar de radicada desde a infância, jamais neguei que sou "sertaneja nata", do sertão central cearense: Mombaça. Sou professora municipal de Fortaleza, no meu ponto de vista, a mais importante profissão; e a mais "relevante" para o tesouro do Estado: fiscal fazendária.

Na capital pari dois filhos e uma filha. Aqui também fui cravada pela dor mais lancinante: perdi um filho para a violência urbana. Por isso só compreendo segurança com educação, distribuição de renda e solidariedade. Sem estas três coisas, difícil alcançar a vida ideal de convívio numa grande cidade.

Um dia, ao entrar na sede dos bombeiros, li: “Quando a força bruta ofusca a razão, a prepotência suplanta a lei. [...] Que este lugar, onde a dor e o medo fez escala (onde encarceraram Rachel de Queiroz), se transforme numa prova definitiva da inutilidade dos governantes que oprimem adversários políticos e expresse uma incessante exaltação aos que lutam em defesa da liberdade.”

Prefeito de Fortaleza: Evandro Leitão (PT)

Também por isso, celebro estes 300 anos de Fortaleza com a alegria e o "alívio" de ver no Executivo o fazendário Evandro Leitão (PT), quando a capital quase flertou com o obscurantismo.

Costumo dizer: "quando brilha uma estrela", referindo-me às possibilidades que queremos construir. E não é "sonho". É a realidade pela qual nossa cidadania nos impele a lutar, porque a luta continua!

Seguimos sonhando uma Sociedade com um olhar mais solidário e responsável com a pessoa preta, pobre, periférica. Sociedade da partilha, da distribuição de renda e da denúncia do acúmulo de riquezas.

Sociedade sem machismo e inclusiva, onde a arte sobressaia o lucro e seja libertadora de direito e de fato. Sociedade essa que acredito só pode ser construída com educação acessível e de qualidade. A Sociedade dos sonhos cuida da Mãe Terra, do Equilíbrio Ambiental, opta por energias limpas e renováveis.


Vamos "esperançar" para construir e ver surgir a sociedade de não violência, de alegria, saudável, ecológica, sociável e de muita paz!

Vamos sonhar, minha gente, sonhar e lutar. Senão, nada acontece. “FORTITUDINE”!

 
*Gláucia Lima – escritora, fazendária e professora aposentada (de espanhol da Prefeitura Municipal de Fortaleza, no IMPARH), coordenadora do FMFi (leia-se: “femefi”) - Fórum de Mulheres no Fisco, presidenta da Casa da Amizade Brasil-Cuba/CE e do Instituto Tonny Ítalo – InsTI 10 anos.

#CubaNoEstáSola      #PalestinaLivre




À NOSSA FORTALEZA 

Lançamento do livro “À Nossa Fortaleza” aconteceu em Sessão Solene na Câmara Municipal de Fortaleza, dia 10/04/26 a partir das 9h, presidida pela Vereadora Prof.ª Adriana Almeida.


Obra reúne produções de artistas de múltiplas linguagens (crônica, poesia, gravura, cordel e canção) que traduzem, sob diferentes olhares, experiências e afetos ligados à cidade. Livro conta com a participação de Gláucia Lima (presidenta da Casa da Amizade Brasil-Cuba e do Instituto Tonny Ítalo – InsTI 10 anos). 


🎁 Considerado um presente da categoria fazendária para os 300 anos de Fortaleza, a maioria das participações são de servidoras e servidores fazendárias(os) que compartilham suas histórias com a capital, incluindo o Prefeito Evandro Leitão.

Carlos Brasil - SINTAF, Gláucia Lima, Vereadora Prof.ª
Adriana Almeida e Liduíno Brito - Fundação SINTAF

📕O escritor Mailson Furtado, vencedor do Prêmio Jabuti 2018, é o editor-geral do livro que tem a produção das Edições Fundação SINTAF.