«Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!»
Arruda chegou com Illiana na sede da associação da categoria fazendária, julho de 2003. Era posse no nosso sindicato (Sintaf) e eu tentava escrever algo, rabiscando alguma coisa pra ler na ocasião, pois seria uma das empossadas.
Ele me citou
esta frase de Cecília Meireles e eu logo tratei de colocar em meu texto... “Liberdade
– essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e
ninguém que não entenda!”
Engraçado
que lembro do Arruda sempre com sorriso. Lembro de suas campanhas, com boneco
gigante e tudo, lembro dos seus apoios às campanhas petistas e/ou de esquerda (sempre)
no nosso Estado e lembro dele enlouquecidamente cruzando o espelho d’água no
Planalto na primeira posse de Lula.
Eu, ainda na
posse de Dilma, em Brasília 2015, ele já rabiscava o texto que logo pus no Blog
Ser ¡Voz! Nunca na história desse País, uma Mulher reeleita. 🔗 no link → https://glaucialimavoz.blogspot.com/2015/01/nunca-na-historia-desse-pais-uma-mulher.html
“O
impossível se faz já; só os milagres ficam para depois!” Dilma Rousseff, em discurso de Posse,
1° de janeiro de 2015
Encontramos
nas palavras do companheiro de tantas lutas, sejam elas políticas, artísticas e
de servidores públicos, *Cartaxo de Arruda Júnior, a expressão do
sentimento que nos absorveu. Por isso, foi o texto escolhido para ilustrar a
matéria.
Arruda
conseguia traduzir nosso sentimento de brasilidade e nordestinidade nas lutas
que seguimos travando. Pois, a luta, a “Luta continua, companheiro!”
E, como você
bem disse, Arruda: “VENCEMOS. E vencemos uma enorme conjunção de forças
poderosas e aglutinadas.” Afinal, em pouco menos de 13 dias votaremos, de novo,
em Lula. ¡Hasta siempre! E na Luta!!!
Teríamos muito
a falar do camarada Arruda, mas seu sobrinho nos oferendou um belo texto que
reproduzo aqui:
“ARRUDA,
REBOCO E AS COISAS SIMPLES
Luiz Edgar Carrtaxo de Arruda Jr. Muitas vezes se portava como Junior, outras tantas como Arruda.
Junior,
talvez, por ainda morar com a mãe quando já contava seus setenta e tantos anos
— um dos seus vastos defeitos, diriam alguns. Mas quem sou eu para julgar o
amor e a relação entre um filho e sua mãe?
Comecei a
chamá-lo de Junior quando já era mais velho, às vezes até desdenhando daquele
amor tão profundo que tinha pela minha avó. Hoje, olhando para trás, penso que
talvez fosse justamente ali que estivesse uma das maiores expressões do seu
caráter. Arruda tinha um dos maiores corações que já conheci.
Era intenso.
Apaixonado pelos seus ideais. Tinha seus vícios, como todos temos, suas
contradições e suas fraquezas. Mas havia nele uma paixão verdadeira pela
natureza, pela política, pelas árvores, pelas praças e, sobretudo, pelas
pessoas.
No meio de
uma de suas elucubrações, um dia me disse uma frase que ficou comigo para
sempre:
“Você faz
política diariamente, mesmo que não goste de política.”
Era assim
Arruda. Via política onde muitos não viam nada. Via valor naquilo que parecia
pequeno. Escreveu artigos em jornais defendendo praças e árvores. Lutou por
coisas que, para muitos, não mereciam sequer uma discussão. Talvez porque
soubesse que são justamente essas coisas aparentemente pequenas que dão forma à
vida de uma cidade e à memória de quem vive nela.
E talvez
seja por isso que penso na sua arte, no seu Reboco.
O reboco é
aquilo que normalmente se esconde. É a camada que cobre, protege, prepara a
parede. Não costuma ser o acabamento celebrado. Quase ninguém olha para ele.
Mas é ele que está ali, sustentando, dando forma, fazendo parte da construção.
Arruda
também tinha algo de reboco.
Não buscava
o brilho. Não tinha grandes ambições pessoais. Mas tinha ideias inabaláveis.
Podia ser fraco em alguns aspectos, contraditório em outros, mas era grande
justamente nessas coisas simples que hoje parecem esquecidas: a gentileza, a
generosidade, o respeito, a capacidade de conversar, de acolher, de se indignar
por uma árvore ou por uma praça.
Tratava com
o mesmo respeito o governador e o compadre que lhe servia a cachaça numa viela
da favela. Não fazia distinção entre a importância de um cargo e a dignidade de
uma pessoa.
Talvez essa
seja uma das maiores lições que deixou.
Arruda não
precisava ser perfeito para ser grande.
Era humano
demais para isso.
Tinha
defeitos, manias, vícios, contradições. Mas tinha também uma capacidade rara de
amar aquilo em que acreditava. E, quando acreditava em alguma coisa, era
difícil fazê-lo recuar.
Hoje sinto
sua falta.
Sinto falta
das suas elucubrações, das conversas, das provocações e até dos seus defeitos.
E olhando
para o Reboco, penso que talvez sua arte seja também um pouco de sua própria
maneira de estar no mundo: aparentemente simples, às vezes imperfeita, mas
carregada de memória, de matéria, de história e de vida.
Porque há
pessoas que passam pela nossa vida como acabamento.
E há outras
que, mesmo sem percebermos, fazem parte da estrutura.
Arruda era
dessas.
E agora,
quando penso nele, penso também nas coisas simples que ele tanto valorizava —
uma árvore, uma praça, uma conversa, um copo de cachaça, uma ideia defendida
até o fim.
Coisas que
parecem pequenas.
Mas que, no
fim, são justamente as que permanecem.
Sentirei
muito a sua falta, Arruda.”
-Pedro
Cartaxo Arruda Linhares


