terça-feira, 22 de setembro de 2026

A Luta Continua, Companheiro Arruda!

 


«Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!»


Arruda chegou com Illiana na sede da associação da categoria fazendária, julho de 2003. Era posse no nosso sindicato (Sintaf) e eu tentava escrever algo, rabiscando alguma coisa pra ler na ocasião, pois seria uma das empossadas.

Ele me citou esta frase de Cecília Meireles e eu logo tratei de colocar em meu texto... “Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda!”

Engraçado que lembro do Arruda sempre com sorriso. Lembro de suas campanhas, com boneco gigante e tudo, lembro dos seus apoios às campanhas petistas e/ou de esquerda (sempre) no nosso Estado e lembro dele enlouquecidamente cruzando o espelho d’água no Planalto na primeira posse de Lula.

Eu, ainda na posse de Dilma, em Brasília 2015, ele já rabiscava o texto que logo pus no Blog Ser ¡Voz! Nunca na história desse País, uma Mulher reeleita. ✊🏽  🔗 no link → https://glaucialimavoz.blogspot.com/2015/01/nunca-na-historia-desse-pais-uma-mulher.html

“O impossível se faz já; só os milagres ficam para depois!” Dilma Rousseff, em discurso de Posse, 1° de janeiro de 2015

Encontramos nas palavras do companheiro de tantas lutas, sejam elas políticas, artísticas e de servidores públicos, *Cartaxo de Arruda Júnior, a expressão do sentimento que nos absorveu. Por isso, foi o texto escolhido para ilustrar a matéria.

Arruda conseguia traduzir nosso sentimento de brasilidade e nordestinidade nas lutas que seguimos travando. Pois, a luta, a “Luta continua, companheiro!”

E, como você bem disse, Arruda: “VENCEMOS. E vencemos uma enorme conjunção de forças poderosas e aglutinadas.” Afinal, em pouco menos de 13 dias votaremos, de novo, em Lula. ¡Hasta siempre! E na Luta!!!

Teríamos muito a falar do camarada Arruda, mas seu sobrinho nos oferendou um belo texto que reproduzo aqui:

ARRUDA, REBOCO E AS COISAS SIMPLES

Luiz Edgar Carrtaxo de Arruda Jr. Muitas vezes se portava como Junior, outras tantas como Arruda.

Junior, talvez, por ainda morar com a mãe quando já contava seus setenta e tantos anos — um dos seus vastos defeitos, diriam alguns. Mas quem sou eu para julgar o amor e a relação entre um filho e sua mãe?

Comecei a chamá-lo de Junior quando já era mais velho, às vezes até desdenhando daquele amor tão profundo que tinha pela minha avó. Hoje, olhando para trás, penso que talvez fosse justamente ali que estivesse uma das maiores expressões do seu caráter. Arruda tinha um dos maiores corações que já conheci.

Era intenso. Apaixonado pelos seus ideais. Tinha seus vícios, como todos temos, suas contradições e suas fraquezas. Mas havia nele uma paixão verdadeira pela natureza, pela política, pelas árvores, pelas praças e, sobretudo, pelas pessoas.

No meio de uma de suas elucubrações, um dia me disse uma frase que ficou comigo para sempre:

“Você faz política diariamente, mesmo que não goste de política.”

Era assim Arruda. Via política onde muitos não viam nada. Via valor naquilo que parecia pequeno. Escreveu artigos em jornais defendendo praças e árvores. Lutou por coisas que, para muitos, não mereciam sequer uma discussão. Talvez porque soubesse que são justamente essas coisas aparentemente pequenas que dão forma à vida de uma cidade e à memória de quem vive nela.

E talvez seja por isso que penso na sua arte, no seu Reboco.

O reboco é aquilo que normalmente se esconde. É a camada que cobre, protege, prepara a parede. Não costuma ser o acabamento celebrado. Quase ninguém olha para ele. Mas é ele que está ali, sustentando, dando forma, fazendo parte da construção.

Arruda também tinha algo de reboco.

Não buscava o brilho. Não tinha grandes ambições pessoais. Mas tinha ideias inabaláveis. Podia ser fraco em alguns aspectos, contraditório em outros, mas era grande justamente nessas coisas simples que hoje parecem esquecidas: a gentileza, a generosidade, o respeito, a capacidade de conversar, de acolher, de se indignar por uma árvore ou por uma praça.

Tratava com o mesmo respeito o governador e o compadre que lhe servia a cachaça numa viela da favela. Não fazia distinção entre a importância de um cargo e a dignidade de uma pessoa.

Talvez essa seja uma das maiores lições que deixou.

Arruda não precisava ser perfeito para ser grande.

Era humano demais para isso.

Tinha defeitos, manias, vícios, contradições. Mas tinha também uma capacidade rara de amar aquilo em que acreditava. E, quando acreditava em alguma coisa, era difícil fazê-lo recuar.

Hoje sinto sua falta.

Sinto falta das suas elucubrações, das conversas, das provocações e até dos seus defeitos.

E olhando para o Reboco, penso que talvez sua arte seja também um pouco de sua própria maneira de estar no mundo: aparentemente simples, às vezes imperfeita, mas carregada de memória, de matéria, de história e de vida.

Porque há pessoas que passam pela nossa vida como acabamento.

E há outras que, mesmo sem percebermos, fazem parte da estrutura.

Arruda era dessas.

E agora, quando penso nele, penso também nas coisas simples que ele tanto valorizava — uma árvore, uma praça, uma conversa, um copo de cachaça, uma ideia defendida até o fim.

Coisas que parecem pequenas.

Mas que, no fim, são justamente as que permanecem.

Sentirei muito a sua falta, Arruda.”

-Pedro Cartaxo Arruda Linhares