terça-feira, 9 de julho de 2013

Eneida Teixeira, ELA leva a artista do sertão e da alegria para o eterno...

Acervo SINTAF/CE. foto: Marcus Paulo Saraiva
 "Quero ser lembrada como pintora de temas regionais, que retratam a alegria de viver. Através da minha arte, busco mostrar a pureza que emana das coisas simples". Eneida

Deus, Iluminai as mentes para que descubram a cura pro E.L.A. (ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA)*Homenagem à querida Eneida Teixeira, colega fazendária e artista plástica, também comentou na contracapa do meu livro Sonho - Uma Percepção da Verdade e teve várias pinturas suas ilustrando o livro. Eneida faleceu acometida por ELA...
Luz, amiga! *•.¸¸


contracapa do livro
Sonho-Uma Percepção da Verdade


“...sonho não é, simplesmente, fragmentos gravados em nosso subconsciente, de experiência da vida real, como afirma a maioria dos psicólogos.” (...) Eneida, em trecho do texto da contracapa.




"Meu espírito artístico, anseia que o público encontre na minha pintura, aconchego e refúgio, sentimentos só proporcionados por um colo de mãe." Eneida
antecede cap. 6 - MATERNIDADE – Eneida Teixeira, 2009
                                  Pinturas do sertão cearense (DN – 08/07/2010)
Com ênfase no universo regionalista, pincelando seus personagens e paisagens, a artista plástica Eneida Teixeira, abre hoje, a partir das 19h30, a exposição "Cantos e Encantos do meu Ceará", no Centro Cultural Oboé. A mostra fica em cartaz até o dia 30

Numa busca sensível de captar os valores, os costumes, as paixões e as tradições do povo sertanejo, a artista plástica Eneida Teixeira reverbera em suas telas particularidades de cada cidade interiorana por onde passou: Tamboril, Pentecoste, Baturité, Senador Pompeu e, recentemente, Monsenhor Tabosa. São lugares carregados de lembranças dos tempos de infância e, também, da adolescência da artista.

"Quando criança, passava as férias escolares em alguma cidade do interior cearense. Aí, os olhos curiosos e atentos, próprios daqueles que experimentam pela primeira vez sensações singulares, captavam, como as lentes de uma Polaróide, as imagens próprias da vida no campo, gerando um imenso álbum recheado de paisagens e impressões que me acompanham até hoje", diz.


Eneida junta cada pedaço de recordação e passa em revista as imagens da mulher cozinhando no fogão à lenha, do casal sentado em cadeiras de balanço na calçada, do cachorrinho dormindo preguiçoso próximo ao "pé da parede"... Tudo guardado indelével na memória.

Com a exposição "Cantos e Encantos do meu Ceará", a artista expressa em cores alegres esse sentimento de encanto pelas coisas simples da vida no sertão. "A simplicidade da gente não pode ser desperdiçada. As pessoas com quem mais gosto de conversar são as mais humildes, o vaqueiro, a mulher que faz queijo e as crianças. Apesar de todas as dificuldades na vida do campo, as pessoas que moram lá são bastante felizes. Isso é um exemplo a ser seguido por todos nós", ressalta a artista.

Sonho alcançado

                                  O Descanso – ENEIDA TEIXEIRA, 2010 - antecede cap. 7
A exposição, que tem inauguração hoje e segue em cartaz até o dia 30, no Centro Cultural Oboé, conta com cerca de 30 quadros. Alguns estarão à venda, enquanto outros serão apenas expostos, pois fazem parte de acervos particulares. Segundo a artista, a mostra é a concretização de um sonho há muito tempo almejado.

Eneida Teixeira contou que, ao confidenciar o desejo ao amigo Francisco Wildys de Oliveira, que a encorajou a desenvolver a exposição, não sabia que logo teria uma boa notícia. "Wildys me surpreendeu com a feliz notícia de que já tinha providenciado a exposição, juntamente com a equipe do Oboé, para a concretização do meu sonho. Desse dia em diante, fiquei ainda mais motivada pela ideia de expor e redobrei minhas energias e esmero na produção das telas", ressalta a artista, sobre o novo momento.

Em seguida, completa: "Quero ser lembrada como pintora de temas regionais, que retratam a alegria de viver. Através da minha arte, busco mostrar a pureza que emana das coisas simples".

Fique por dentro
Eneida Teixeira

Nasceu em Fortaleza, em 2 de março de 1954,mas sempre apreciou a vida simples do campo. A artista plástica começou a desenhar muito cedo, utilizando lápis e papel de embrulhar pão. Autodidata, também se aventurou pela pintura. Aos 14 anos, produziu seu primeiro quadro com tinta a óleo, no estilo primitivista, inspirado pelo trabalho do artista cearense Chico da Silva. Nessa época, frequentava a galeria Antônio Bandeira, na Praça do Ferreira. Ali, apreciava os diversos estilos de pintura. Assim, a cada tela composta, Eneida Teixeira ia melhorando e definindo o estilo que a tornou, posteriormente, pintora "regionalista". 

Inspirado nesta pintura...

De acordo com a artista, o pai não apoiava a carreira, por não ser muito valorizada em termos financeiros. Eneida chegava a pintar às escondidas no quartinho da empregada. Nessa época, muitas de suas telas foram vendidas por seu tio Clóvis Nogueira, na Emcetur, com ajuda de seu irmão Fernando, que sempre apoiou sua arte. 
...Ari criou Vida Severina
que antecede capítulo 12.
Assim como o pintor Raimundo Cela (1890 - 1954), consagrado artista plástico sobralense, a quem muito admira, Eneida busca retratar a alma do sertanejo e do pescador cearense. "Meu espírito artístico tem muita sintonia com o de Raimundo Cela". Quando indagada sobre o que o público deve esperar de suas pinturas, responde "Aconchego e refúgio, sentimentos só proporcionados por um colo de mãe".

MAIS INFORMAÇÕES

Abertura da exposição "Cantos e Encantos do meu Ceará", da artista plástica Eneida Teixeira Nogueira Melo. De hoje até 30 de outubro, às 19h30, no Centro Cultural Oboé.
Rua Maria Tomásia, 531.
Contatos: (85) 32647038

ANA CECÍLIA SOARES-REPÓRTER
_Fonte: Caderno3 do Jornal Diário do Nordeste, 08/07/2010.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=869548
ENEIDA TEIXEIRA
"NOSSA ARTISTA FAZENDÁRIA GANHA A ETERNIDADE"

LEIA O INFORMATIVO SEFAZ Nº 1349, NO LINK A SEGUIR:
http://intranet.sefaz.ce.gov.br/contentpub/aplicacao/intranet/periodicos/informativos/Inform1349-2013.pdf


*ELA (Dr. Dráuzio Varella) - A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é provocada pela degeneração progressiva no primeiro neurônio motor superior no cérebro e no segundo neurônio motor inferior na medula espinhal. Esses neurônios são células nervosas especializadas que, ao perderem a capacidade de transmitir os impulsos nervosos, dão origem à doença.
Não se conhece a causa específica para a esclerose lateral amiotrófica. Parece que a utilização excessiva da musculatura favorece o mecanismo de degeneração da via motora, por isso os atletas representam a população de maior risco.
Outra causa provável é que dieta rica em glutamato seja responsável pelo aparecimento da doença em pessoas predispostas. Isso aconteceu com os chamorros, habitantes da ilha de Guan no Pacífico, onde o número de casos é cem vezes maior do que no resto do mundo. Estudos recentes em ratos indicam que a ausência de uma proteína chamada parvalbumina pode estar relacionada com a falência celular característica da ELA, uma doença relativamente rara (são registrados um ou dois casos em cada cem mil pessoas por ano, no mundo), que acomete mais os homens do que as mulheres, a partir dos 45/50 anos.
Apesar das limitações progressivas impostas pela evolução da doença, o paciente costuma ser uma pessoa dócil, amorosa, alegre, que preserva a capacidade intelectual e cognitiva e raramente fica deprimida.
Sintomas
O principal sintoma é a fraqueza muscular, acompanhada de endurecimento dos músculos (esclerose), inicialmente num dos lados do corpo (lateral) e atrofia muscular (amiotrófica), mas existem outros: cãibras, tremor muscular, reflexos vivos, espasmos e perda da sensibilidade.
Diagnóstico
A doença é de difícil diagnóstico. Em grande parte dos casos, o paciente passa por quatro, cinco médicos num ano, antes de fechar o diagnóstico e iniciar o tratamento.
Tratamento
O tratamento é multidisciplinar sob a supervisão de um médico e requer acompanhamento de fonoaudiólogos, fisioterapeutas e nutricionistas.
A pesquisa com os chamorros serviu de base para o desenvolvimento de uma droga que inibe a ação tóxica do glutamato, mas não impede a evolução da doença. Os experimentos em curso com animais apontam a terapia gênica como forma não só de retardar a evolução, como possibilidade de reverter o quadro.
Recomendações
* O diagnóstico e o início precoce do tratamento são dois requisitos fundamentais para retardar a evolução da doença. Não subestime os sintomas, procure assistência médica;
* Embora a ELA seja uma doença degenerativa irreversível, não há como fazer prognósticos. Em alguns casos, a pessoa vive muitos anos e bem;
* A relação do paciente com a equipe médica e familiares é sempre muito rica. Ele está sempre animado e procurando alternativas para enfrentar as dificuldades do dia a dia;
* Pelo menos aparentemente, o portador da doença costuma sofrer menos do que o cuidador, que precisa aprender a maneira correta de tratar do doente, sem demonstrar que teme por sua morte iminente.

domingo, 7 de julho de 2013

Contra as tramóias da direita: Dilma Roussef

Leonardo Boff * - 07/07/2013
Contra as tramóias da direita: sustentar a Dilma Roussef
É notório que a direita brasileira especialmente aquela articulação de forças que sempre ocupou o poder de Estado e o tratou como propriedade privada (patrimonialismo), apoiada pela mídia privada e familiar, estão se aproveitando das manifestações massivas nas ruas para manipular esta energia a seu favor. A estratégia e fazer sangrar mais e mais a Presidenta Dilma e desmoralizar o PT e assim criar uma atmosfera que lhe permite voltar ao lugar que por via democrática perderam.
Se por um lado não podemos nos privar de críticas ao governo do PT (e voltaremos ao tema), mas críticas construtivas, por outro, não podemos ingenuamente permitir que as transformações politico-sociais alcançadas nos últimos 10 anos sejam desmoralizadas e, se puderem, desmontadas por parte das elites conservadoras. Estas visam a ganhar o imaginário dos manifestantes para a sua causa que é inimiga de uma democracia participativa de cariz popular.
Seria grande irresponsabilidade e vergonhosa traição de nossa parte, entregar à velha e apodrecida classe política aquilo que por dezenas de anos  temos construido, com tantas oposições: um novo sujeito histórico,  o PT e partidos populares com inserção que trouxe a milhões de brasileiros. Esta classe se mostra agora feliz com a possibilidade de atuar sem máscara e mostrando suas intenções antes ocultas: finalmente temos chance de voltar e de colocar esse povo todo que reclama reformas, no lugar que sempre lhe competiu historicamente: na periferia, na ignorância e no silenciamento. Aí não incomodam nem criam caos na ordem que por séculos construimos mas que, se bem olhrmos, é ordem na desordem ético-social.
Esta pretensão se liga a algo anterior e que fez história. É sabido que com a vitória do capitalismo sobre o socialismo estatal  do Leste europeu em 1989, o Presidente Reagan e a primeira ministra Tatcher inauguraram uma campanha mundial de desmoralização do Estado tido como ineficiente e da política como empecilho aos negócios das grandes corporações globalizadas e à lógica da acumulação capitalista. Com isso visava-se chegar ao Estado mínimo, debilitar a sociedade civil e abrir amplo espaço às privatizações e ao domínio do mercado, até conseguir a passagem de uma sociedade com mercado para uma sociedade de puro mercado no qual tudo, mas tudo mesmo, da religião ao sexo, vira mercadoria. E conseguiram. O Brasil sob a hegemonia do PSDB se alinhou ao que se achava o marco mais moderno e eficaz da política mundial. Protagonizou vasta privatização de bens públicos que foram maléficos ao interesse geral.
Que isso foi uma desgraça mundial se comprova pelo fosso abissal que se estabeleceu entre os poucos que dominam os capitais e as finanças e a grandes maiorias da humanidade. Sacrifica-se um povo inteiro como a Grécia, sem qualquer consideração, no altar do mercado e da voracidade dos bancos.
A crise econômico-financeira de 2008 instaurada no coração dos países centrais que inventaram esta perversidade social, foi consequência deste tipo de opção política. Foram os Estados que tanto combateram que os salvaram da completa falência, produzidas por suas medidas montadas sobre a mentira e a ganância (greed is good), como não se cansa de acusar o prêmio Nobel de economia Paul Krugman. Para ele, estes corifeus das finanças especulativas deveriam estar todos na cadeia como criminosos. Mas continuam aí faceiros e rindo.
Então, se devemos criticar  a nossa classe política por ser corrupta e o Estado por ser ainda, em grande parte, refém da macro-economia neoliberal, devemos fazê-lo com critério e senso de medida. Caso contrário levamos água ao moinho da direita. Esta se aproveita desta crítica, não para melhor a sociedade em benefício do povo que grita na rua, mas para resgastar seu antigo poder político especialmente, aquele ligado ao poder de Estado a partir do qual garantiam seu enriquecimento fácil. Especialmente a mídia privada e familiar, cujos nomes não precisam ser citados, está empenhada fevorosamente neste empreitada de volta ao  velho status quo.
Por isso, as massas deve continuar na rua contra elas. Precisam estar atentas a esta infiltração que visa mudar o rumo das manifestações. Elas invocam a segurança pública e a ordem a ser estabelecida. Quem sabe, até sonham com a volta do braço armado para limpar as  ruas.
Dai, repetimos, cabe reforçar o governo de Dilma, cobrar-lhe, sim,  reformas políticas profundas, evitar a histórica conciliação entre as forças em tensão e o oposição para juntas novamente esvaziar o clamor das ruas e manterem um status quo que prolonga  benefíciois compartilhados.
Inteligentemente sugeriu o analista politico Jeferson Miolo em Carta Maior (07/7/2013):”Há uma grave urgência política no ar. A disputa real que se trava nesse momento é pelo destino da sétima economia mundial e pelo direcionamento de suas fantásticas riquezas para a orgia financeira neoliberal. Os atores da direita estão bem posicionados institucionalmente e politicamente…A possibilidade de reversão das tendências está nas ruas, se soubermos canalizar sua enorme energia mobilizadora. Por que não instalar em todas as cidades do país aulas públicas, espaços de deliberação pública e de participação direta para construir com o povo propostas sobre a realidade nacional, o plebiscito, o sistema político, a taxação das grandes fortunas e do capital, a progressividade tributária, a pluralidade dos meios de comunicação, aborto, união homoafetiva, sustentabilidade social, ambiental e cultural, reforma urbana, reforma republicana do Estado e tantas outras demandas históricas do povo brasileiro, para assim apoiar e influir nas políticas do governo Dilma”?
Desta forma se enfrentarão as articulações da direita e se poderá com mais força reclamar reformas políticas de base que vão na direção de atender a infra-estrutura reclamada pelo povo nas ruas: melhor educação, melhores hospitais públicos, melhor transporte coletivo e menos violência na cidade e no campo.

* Leonardo Boff não é filiado ao PT, é teólogo e escritor, da Comissão da Carta da Terra 


sábado, 6 de julho de 2013

Ariano Suassuna defende reeleição de Dilma

O dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasilleiro, nasceu na Paraíba em 16/06/1927 e faleceu em Recife em †23/07/2014

Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste do Brasil.
Foi Secretário de Cultura de Pernambuco entre 1994 e 1998, e Secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014

“Perdemos uma grande referência cultural. A obra de Suassuna é essencial para a compreensão do Brasil”, Dilma Rousseff, Presidenta do Brasil
“Ariano era um tesouro nacional. Mais do que escritor: compositor, um ícone da cultura brasileira. É uma tristeza”,  Luis Fernando Verissimo, Escritor
“Ariano reunia as extraordinárias qualidades de homem de letras e de intelectual no melhor sentido da palavra”, Geraldo Holanda Cavalcanti, Presidente da ABL
“Foi muito mais do que um amigo, foi uma figura que me ensinou muito e em vários aspectos da vida. Perda irreparável”, Luiz Fernando Carvalho, Cineasta

“Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver." Ariano Suassuna
“Nunca me omiti na política, faço política com ‘P’ maiúsculo. Tenho interesse no Brasil. Por enquanto nós estamos querendo a reeleição de Dilma” Ariano Suassuna
alguém conhece esse cara aí? Não sei, só sei que foi assim! 
“… que é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.” Ariano Suassuna


Ariano Suassuna: “queremos a reeleição de Dilma”

O escritor Ariano Suassuna declarou que Eduardo Campos não deveria visar 2014; “Não é o momento pra isso. Não estou falando na política miúda. Nunca me omiti na política, faço política com ‘P’ maiúsculo. Tenho interesse no Brasil. Por enquanto nós estamos querendo a reeleição de Dilma”

Ariano Suassuna defende reeleição de Dilma
A possível candidatura presidencial do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, não deverá contar com um apoio de peso. O escritor Ariano Suassuna, que sempre militou ao lado das hostes socialistas, declarou, segundo o Jornal Vanguarda, de Caruaru, Agreste pernambucano, que neste momento, Eduardo não deveria visar 2014. “Não é o momento pra isso. Não estou falando na política miúda. Nunca me omiti na política, faço política com ‘P’ maiúsculo. Tenho interesse no Brasil. Por enquanto nós estamos querendo a reeleição de Dilma”, teria declarado o escritor na saída do seminário Juntos por Pernambuco, que aconteceu nesta quinta-feira (21), em Gravatá, Agreste do Estado.

De acordo com o Vanguarda, Ariano disse não estar esquecido da história do ex-governador Miguel Arraes, avô de Eduardo, e que considera o governador como “o político mais brilhante que já conheci na minha vida”. “Não estou esquecido da história de Miguel Arraes. Eduardo nem tem idade, nem tempo de luta suficiente, mas é o político mais brilhante que eu conheço. Acho que ele é o mais apto a levar a diante os avanços do governo Lula”, disse.


_Fonte: Pragmatismo Político, link: link...http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/02/ariano-suassuna-queremos-a-reeleicao-de-dilma.html 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Os Castelos de Kafka

Alan Santiago

Há 130 anos, nascia um dos maiores escritores do século XX. De família judia, escrevendo em alemão, Franz Kafka analisou os problemas impostos à condição humana pela racionalidade de nossa sociedade
Certa vez, Max Brod perguntou ao amigo Franz Kafka: “Existiria então esperança fora desse mundo de aparências que conhecemos?”. Um dos maiores escritores do século XX, nascido em Praga no dia 3 de julho de 1883, há exatos 130 anos, riu e respondeu em seguida: “Há esperança suficiente, esperança infinita – mas não para nós”.

Reproduzido em ensaio do filósofo alemão Walter Benjamin, o diálogo é lapidar pela desesperança a que, lançado o próprio autor, Kafka acabou atribuindo a seus personagens.
As figuras que aparecem nos romances – nos inacabados O Castelo (1926) e O Processo (1925) – e contos – em, por exemplo, “O Veredito” (1912) e “Na Colônia Penal” (1919) – estão sempre diante de uma sociedade monstruosa, fragmentada e por isso mesmo inconciliável.
Cresce numa família de classe média, numa República Tcheca ainda território do Império Austro-húngaro. De origem pobre, o pai, Hermann Kafka, fez de tudo para abandonar o passado de penúria. Conseguiu. Após um tempo como representante comercial, se torna dono de uma próspera loja de miudezas e roupas.
A mãe, Julie Löwy, que dedicava inúmeras horas do dia aos negócios da família, deu à luz seis filhos – do qual Kafka foi o mais velho. Com a morte de dois irmãos, ele tornava-se o único homem entre os filhos.
Os Kafka acabaram duplamente afetados pelo que eram: desacreditados por falar alemão em meio à multidão tcheca; julgados dentro da comunidade por sua origem judia.
Essa encruzilhada de identidades e linguagens levou os filósofos Gilles Deleuze e Felix Guattari, em Kafka – por uma literatura menor (1975), a afirmar que os judeus de Praga, ao mesmo tempo uma parte da minoria e excluídos dela, eram tratados como “ciganos que roubam uma criança alemã do berço”.
A desterritorialização de Kafka com o mundo iria também se aprofundar em relação à própria família. Principalmente, porque vão se agravando ao longo dos anos os conflitos com o pai.
Um deles acontece quando, em 1911, engajado numa fábrica de amianto com o cunhado, Kafka vê seu tempo livre, que dedicava à literatura, corroído pelo acúmulo de expedientes entre a fábrica e a companhia de seguros, onde também trabalhava.
Conflitos
Em 1918, o pai tripudia da vontade do filho, já aos 36 anos, de casar com Julie, que conheceu pouco antes. Kafka já havia passado por outras tentativas infrutíferas de casamento; duas vezes inclusive com a secretária Felice Bauer. 

“Eu simplesmente não consigo entendê-lo, você é um homem feito, você vive na cidade e ainda assim não consegue fazer melhor do que casar com a primeira garota que a aparece”, desdenhou o pai.
No ano seguinte, Kafka dedica a Hermann Um Médico Rural, coleção de contos que inclui a história do doutor tentando sem sucesso visitar uma criança doente numa noite fria. Quando veio lhe mostrar o livro, o pai afirmou: “Coloque em cima do criado-mudo”.
As palavras derrotaram o escritor. Naquele mesmo ano, escreveria Carta ao Pai (1919), uma missiva totalmente amargurada que tentava acertar as contas com o patriarca, mas que nunca chegou a enviar ao ser dissuadido pela mãe e a irmã.
Para Benjamin, há “muitos indícios de que o mundo dos funcionários e o mundo dos pais são idênticos para Kafka. Essa semelhança não os honra. Ela é feita de estupidez, degradação e imundície”. Em muitos escritos, Kafka qualificava o pai de tirano e autoritário.
Em O Veredito, a figura paterna por sua força acaba condenando o personagem à morte. Em A Metamorfose (1915), onde o personagem principal acorda transformado num inseto, o conflito se estabelece também com o pai, que tenta a todo custo tirar a vida do rebento, agora um bicho. A propósito, é dessa novela um dos inícios mais célebres da literatura universal: “Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto”.
Essa estrutura lógica vai se repetir, por exemplo, em O Processo, onde o bancário Joseph K. tenta entender o motivo de uma pendenga judicial que o levará à pena capital, ou no conto “Na Colônia Penal”, em que o condenado tem a sentença grafada no corpo sem saber porque está sofrendo aquelas torturas.
A figura paterna massacrante e terrível estaria sempre à espreita na obra de Kafka, seja na reprodução da relação mesma entre pai e filho, seja no símbolo da máquina estatal irracional e opressora.
“Kafka apresenta possibilidades de comportamento humano e estruturas possíveis de vida num mundo que parece misterioso e absurdo porque a estrutura desse mundo é, por sua vez, hostil realização de uma vida estruturada”, destaca Otto Maria Carpeaux no quarto volume de seu monumental História da Literatura Ocidental.
Em outras palavras, o homem kafkiano é um atestado dos problemas impostos pela modernidade que tenta racionalizar o mundo, reduzi-lo e enquadrá-lo naquilo que pode compreender ou mensurar. A modernidade desencantou o mundo, como diz o sociólogo Max Weber, e a literatura de Kafka está, de alguma forma, se debatendo diante disso.
_fonte: Jornal O Povo – Vida & Arte
LITERATURA 03/07/2013


sexta-feira, 28 de junho de 2013

As multidões nas ruas: como interpretar? _por, Leonardo Boff *

"As massas querem estar presentes nas decisões dos grandes projetos que as afetam e que não são consultadas para nada. Nem falemos dos indígenas cujas terras são sequestradas para o agronegócio ou para a indústria das hidrelétricas."
segue o texto em sua íntegra:

"Um espírito de insurreição de massas humanas está varrendo o mundo todo, ocupando o único espaço que lhes restou: as ruas e as praças. O movimento está apenas começando: primeiro no norte da África, depois na Espanha com os “indignados”, na Inglaterra e nos USA com os “occupies” e no Brasil com a juventude e outros movimentos sociais.    Ninguém se reporta às clássicas bandeirtas do socialismo, das esquerdas, de algum partido libertador ou da revolução. Todas estas propostas ou se esgotaram ou não oferecem o fascínio suficiente para mover as massas. Agora são temas ligados à vida concreta do cidadão: democracia participativa, trabalho para todos, direitos humanos pessoais e sociais, presença ativa das mulheres, transparência na coisa pública, clara rejeição a todo tipo de corrupção, um novo mundo possível e necessário. Ninguém se sente representado pelos poderes instituídos que geraram um mundo politico palaciano, de costas para o povo ou manipulando diretamente os cidadãos.

 Representa um desafio para qualquer analista interpretar tal fenômeno. Não basta a razão pura; tem que ser uma razão holística que incorpora outras formas de inteligência, dados aracionais, emocionais e arquetípicos e emergências, próprias do processo histórico e mesmo da cosmogênese. Só assim teremos um quadro mais ou menos abrangente que faça justiça à singularidade do fenômeno.

 Antes de mais nada, importa reconhecer que é o primeiro grande evento, fruto de uma nova fase da comunicação humana, esta totalmente aberta, de uma democracia em grau zero que se expressa pelas redes sociais. Cada cidadão pode sair do anonimato, dizer sua palavra, encontrar seus interlocutores, organizar grupos e encontros, formular uma bandeira e sair à rua. De repende, formam-se redes de redes que movimentam milhares de pessoas para além dos limites do espaço e do tempo. Esse fenômeno precisa ser analisado de forma acurada porque pode representar um salto civilizatório que definirá um rumo novo à história, não só de um país mas de toda a humanidade. As manifestações do Brasil provocaram manifestações de solidariedade em dezenas e dezenas de outras cidades no mundo, especialmente na Europa. De repente o Brasil não é mais só dos brasileiros. É uma porção da humanidade que se indentifica como espécie, numa mesma Casa Comum, ao redor de causas coletivas e universais.

Por que tais movimentos massivos irromperam no Brasil agora? Muitas são as razões. Atenho-me apenas a uma. E voltarei a outras em outra ocasião.

 Meu sentimento do mundo me diz que, em primeiro lugar, se trata de um efeito de saturação: o povo se saturou com o tipo de política que está sendo praticada no Brasil, inclusive pelas cúpulas do PT (resguardo as políticas municipais do PT que ainda guardam o antigo fervor popular). O povo se beneficiou dos programas da bolsa família, da luz para todos, da minha casa minha vida, do crédito consignado; ingressou na sociedade de consumo. E agora o quê? Bem dizia o poeta cubano Ricardo Retamar: “o ser humano possui duas fomes: uma de pão que é saciável; e outra de beleza que é insaciável”. Sob beleza se entende educação, cultura, reconhecimento da dignidade humana e dos direitos pessoais e sociais como  saúde com qualidade minima e transporte menos desumano.

Essa segunda fome não foi atendida adequadamente pelo poder publico seja do PT ou de outros partidos. Os que mataram sua fome, querem ver atendidas outras fomes, não em ultimo lugar, a fome de cultura e de participação. Avulta a consciência das profundas desigualdades sociais  que é o grande estigma da sociedade brasileira. Esse fenômeno se torna mais e mais intolerável na medida em que cresce a consciência de cidadania e de democracia real. Uma democracia em sociedades profundamente desiguais como a nossa, é meramente formal, praticada apenas no ato de votar (que no fundo é o poder escolher o seu “ditador” a cada quatro anos, porque o candidato uma vez eleito, dá as costas ao povo e pratica a política palaciana dos partidos). Ela se mostra como uma farsa coletiva. Essa farsa está sendo desmascarada. As massas querem estar presentes nas decisões dos grandes projetos que as afetam e que não são consultadas para nada. Nem falemos dos indígenas cujas terras são sequestradas para o agronegócio ou para a indústria das hidrelétricas.

 Esse fato das multidões nas ruas me faz lembrar a peça teatral de Chico Buarque de Holanda e Paulo Pontes escrita em 1975:”A Gota d’água”. Atingiu-se agora a gota d’água que fez transbordar o copo. Os autores de alguma forma intuíram o atual fenômeno ao dizerem no prefácio da peça em forma de livro: “O fundamental é que a vida brasileira possa, novamente, ser devolvida, nos palcos, ao público brasileiro… Nossa tragédia é uma tragédia da vida brasileira”. Ora, esta tragédia é denunciada pelas massas que gritam nas ruas. Esse Brasil que temos não é para nós; ele não nos inclui no pacto social que sempre garante a parte de leão para as elites. Querem um Brasil brasileiro, onde o povo conta e quer contribuir para uma refundação do pais, sobre outras bases mais democrático-participativas, mais éticas e com formas menos malvadas de relação social.


Esse grito não pode deixar de ser escutado, interpretado e seguido. A política poderá ser outra daqui para frente."
Gota D’Água – Chico Buarque
Inspirada na obra grega Medeia, a trama de Gota D’água se inicia num complexo habitacional do baixo Rio, a “Vila do Meio Dia” quando Jasão, compõe um samba que se torna famoso nas rádios, abandona a mulher Joana e seus dois filhos por Alma, filha do proprietário. Inconformada, Joana planeja sua vingança. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Um Continente em Ebulição

Lucas Jr. (*)

Desde a invasão europeia no Século XV a América do Sul respira, finalmente, a liberdade democrática. Anos de domínio imperialista foram golpeados por uma sequência de vitórias eleitorais de forças representativas dos trabalhadores, do povo que jamais desistiu de sonhar.

José Martí
O recente massacre das urnas sufragado pelos equatorianos desencadeou a constatação de que o continente vive uma ebulição, da qual acende, sob os sentidos mais salutares, a chama da esperança dos latinos. Pois Correa se expressa em Humala, que respeitou Chávez, que foi fiel a Fidel e a Martí.

Cruzadas surgidas nos primórdios dos movimentos indianistas, na década de 20, marcada pela dor e por dezenas de anos em luta contra o imperialismo, abortaram os planos dos americanos de dominarem a Amazônia e tornarem suas terras meras colônias de apoio ao mercantilismo covarde e elitista. Um povo que se levantou lutou pelas suas causas.

Presidente do Equador
Durante esses anos o Brasil se entregou ao poderio estrangeiro em troca do fortalecimento das forças armadas e do coronelismo, estagnando por completo os avanços sociais e evidenciando as distorções entre as classes. Vimos riquezas da Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai sendo extorquidas sob as bênçãos do militarismo, pelos agentes dos ianques golpistas, que usurparam nossos bens e as nossas liberdades.

Mas a resposta veio com o povo nas ruas, em memoráveis passeatas em choque contra a alienação e estupidez do capitalismo. Toda a América do Sul levantou voz pelo direito ao voto direto, por mais educação, saúde e desenvolvimento. E Cuba, que ainda vive a Revolução, também soube preparar sua gente para tal, caminhando para a irrestrita democracia, tão cobrada pela mídia capitalista. Sabemos, pois, que a Ilha é, social e culturalmente, a mais liberta dos países latino-americanos.

Ex e atual Presidente da Venezuela
(imagem de Bolívar)
Ao mesmo tempo, durante seus doze anos de governo, o presidente Hugo Chávez conclamou , em discursos e práticas aplausíveis, os venezuelanos à luta por uma sociedade mais igualitária, resultando na inveja e ódio das raposas elitizadas. Suas marchas de milhões em vermelho mostraram o caminho, a estrada das igualdades. Mas o comandante foi chamado para nova missão, agora no além. Às lágrimas, a Nação, em nova eleição sob forte influência capitalista, mostrou que jamais abandonará sua bandeira.

E o Chile, respirando democracia, vai e vem e troca seus presidentes, em resposta aos governos em deslizes. O Uruguai é comandado por um comunista popular que anda num Fusca, carismático apoiador das causas revolucionárias do continente. A Argentina possui uma história rica, na qual o peronismo se moderniza e, cada vez mais popular, apavora a imprensa dos ricos e aproxima as classes.

Presidentes da Argentina, Brasil e Uruguai
Popularidade que é a ferramenta maior de Dilma Rousseff. O Brasil, que de fato elimina a miséria, mas que precisa vencer a corrupção para evidenciar seu foco, o social. Como a saúde, que carece de avanços. Os desafios são muitos, urgem mudanças nas Leis, reformas, daí essas manifestações populares atuais que de princípio tinha como fato a exploração de tarifas de ônibus, mas que expandiu e abriu espaços aos conhecidos golpistas responsáveis pelo terror ocorrido nos últimos dias. A Presidente, porém, respondeu precisando o diálogo e condenando os atos manipulados que geraram badernas.

1º de Maio - Havana/Cuba
Enfim, nossa Pátria Verde e Amarela precisa de um empurrão, pois apoio é que não falta, o apoio dessa gente que nunca parou de lutar, dessa gente socialista.

(*) o artigo de Joaquim Lucas Jr. foi publicado paralelamente no Jornal Nossa Voz, da AFBNB, jun/2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Propostas dos Pactos Propostos pela Presidente Dilma

Dilma propõe: Plebiscito para Constituinte específica para Reforma Política; Corrupção como Crime Hediondo; Investimentos em Saúde, abrindo mais de 11 mil vagas para universidades no Curso de Graduação em Medicina e mais de 12 mil em Pós-Graduação e Residência; Investimentos de R$ 50 bilhões para Ônibus, Metrôs e Trens; para Educação: 10% do PIB, 100% dos royalties do petróleo e 50% do Pré-Sal.

A presidenta Dilma, em reunião com governadores e prefeitos de capitais, propôs pactos:

- Reforma Política: a convocação de um plebiscito para formar uma Constituinte específica;

- Corrupção: Uma nova legislação que a torne crime hediondo;

- Controle de gastos rigoroso (responsabilidade fiscal de todos), em todas as instâncias, para continuar garantindo a estabilidade da economia diante da atual crise mundial.

- Saúde: acelerar os investimentos em convênio nos hospitais, UPAs (unidades de pronto-atendimento) e unidades básicas de saúde. Mobilizar pela inclusão de hospitais filantrópicos ao programa que rebate dívidas com mais vagas a pacientes do SUS.

- Médicos estrangeiros: haverá um grande esforço de incentivos para levar médicos brasileiros a áreas carentes do País, que sempre tiveram prioridade. Na falta de interesse por médicos brasileiros, contratará estrangeiros. "Sempre ofereceremos primeiro aos médicos brasileiros as vagas a serem preenchidas. Precisa ficar claro que a saúde do cidadão deve prevalecer sobre quaisquer outros interesses", afirmou. 

- Ônibus, metrô e trens: Investimentos novos de R$ 50 bilhões para obras de mobilidade urbana, como a construção de linhas de metrô e corredores de ônibus. 

- Passagens do transporte público: criação do Conselho Nacional do Transporte Público, com participação popular da sociedade e dos usuários, para maior transparência e controle social no cálculo das tarifas. 

- Menos impostos sobre o diesel para ônibus: O governo pretende desonerar os impostos PIS e Cofins cobrado do óleo diesel usado em ônibus e da energia elétrica empregada em trens e metrôs.

- Educação: reafirmou a defesa dos 100% dos royalties do petróleo à educação, e pediu apoio do Congresso para acelerar a tramitação da pauta. O Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Senado, destina 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a área.

_fonte: Blog Os Amigos do Presidente Lula

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