domingo, 8 de junho de 2025

Lançamento em Trairi/CE: Sonho - Uma Magia da Grande Arte (07-06-25)

Livro III da Trilogia de Gláucia Lima, teve lançamento no Centro de Cultura de Trairi no sábado, 7 de junho de 2025.

Confraternização de encantos

No final da tarde e início de noite do dia 7 de junho de 2025, a cidade de Trairi, no Vale do Curu, experimentou um momento exclusivo. Sob a brisa do rio, em formato de alagamar, testemunhado pelo infinito coqueiral, Gláucia Lima lançou, em primeira mão, o livro Sonho - Uma Magia da Grande Arte, fechando a trilogia transcendental que inclui: Sonho - Uma Percepção da Verdade (I) e Sonho - Uma Ponte do Consolador (II).

_Atualizado em 09/06/2025

Momento inédito para o município, afeito a poesias, culinária e histórias infantis. Dessa vez, uma leitura chamativa para o diálogo, característica da autora. Afinal, predomina em sua escrita a particularidade da resistência, diante dos seus relatos sobre os momentos marcantes da vida feminina e dos desafios que rementem ao enfrentamento comum.

Gláucia não é psicóloga, é professora, mas quando decide escrever encarna, digamos, uma “Nise da Silveira” em sua busca pela cura. Discorre sobre um acontecimento pessoal, ou uma problemática, sua ou não, e dialoga com o leitor, convidando-o para o enfrentamento. Digamos que, dentro da expressão peculiar das mulheres, desde as suas raízes familiares, encara o medo com uma série de alternativas, sendo a arte o seu ponto fundamental.

Foi dentro dessa mística das mulheres que se concretizou o debate e apresentações o foyer do Centro de Cultura de Trairi, um espaço de fomento da tradição de um povo que traz consigo raízes de três séculos de povoamento e de miscigenação.

A autora, que possui projetos socias no município, contou com a organização do coletivo local, Últera, regozijando os presentes com pastoril, dança do ventre, cantos e expondo os seus trabalhos artísticos (cerâmica, origem indígena), fotografias, documentário, sem faltar a roda de conversas, uma tradição da ONG criada por Gláucia Lima, Instituto Tonny Ítalo, em fase instalação da sede local. 

Histórico do Centro de Cultura


Documentário | Dona MARIA FURTADO DE MENDONÇA


A área compreendida do Centro de Cultura encontra-se na ribeira do Rio Trairi, centro da cidade, em direção ao balneário Carrapicho. Pertencia ao agricultor e comerciante Edgar de Oliveira Castro (Edgar Maneco), descendente da fundadora da sede, Dona Maria Furtado de Mendonça, a mesma que mandou erguer, em 1725, a capela, atual Igreja de Nossa Senhora do Livramento.

Por volta de 1973, a vendeu para o então pároco, Padre Tomás Feliu Amengual, que tomou posse em 29 de junho de 1970. Afinal, o grande projeto social do jesuíta espanhol foi a Comunidade de Padre Anchieta, que de fato logo surgiu, com moradias e trabalho comunitário. E em seguida, a Comunidade Educacional Padre Anchieta (Cepan), inaugurada, em sua primeira parte, em 1975, ao lado da “Casa Nova” do padre. Paralelamente, o prefeito Manoel Barroso Neto e o governador inauguraram a Av. Cesar Cals, endereço da Cepan, que cedeu parte do terreno ao Estado. Mas se fez justiça e o nome do logradouro, naquela região, foi trocado para Av. Padre Tomás Feliu Amengual. 

O projeto do Centro de Cultura, teve início em 2013, quando a Tractebel Energia, empresa francesa de energia solar pertencente à Engie (com sede no Brasil em Santa Catarina), sabedora que a Cepan possuía as exigências legais, e dadas as condições excepcionais da localização, propôs ao então presidente da entidade educacional, João Batista Santiago, a construção do espaço. E, aprovado o convênio internamente, deu-se o início das obras em 2021, quando a Engie havia assumido a gestão no Ceará. Após várias paradas por falta de recursos, foi inaugurado em 2024 em meio à conclusão do calçadão beira-rio do Polo do Carrapicho, um sonho desejado por Padre Tomás há 50 anos.

Destaque-se que foi dela a publicação do livro/álbum “Trairi, a vida e o saber de um povo” (Carolina Coral), de 2014, através da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura. Obra de rica qualidade gráfica que resgata, com registros fotográficos e de personalidades locais, o histórico do município, destacando-se as suas tradições. Está presente em todas as bibliotecas públicas locais e de Fortaleza.


Dedicatória e Agradecimentos

Humildade, fraternidade e gratidão

O Instituto Tonny Ítalo (InsTI) agradece não apenas à gentileza pela recepção, ao carinho de um povo tão atencioso, mas também pela aprendizagem. Estar presente, conhecer, testemunhar modelos de gerenciamento e fomento à cultura do Centro de Cultura de Trairi, foi um privilégio. E assim a certeza de que usaremos a experiência em suas ações.

Não podemos esquecer de todas, todes e de todos que fazem o InsTI, de nossos colaboradores (colaboradoras, em sua maioria) que nos apoiaram com o carinho de sempre. Cada um e cada uma tem sua importância em cada ação que, neste caso, tem sua renda revertida para apoio a seus projetos socioculturais.

Lembrando o nosso propósito de levar a cultura para as pessoas mais humildes, nós que, enquanto entidade sem fins lucrativos, continuaremos incansavelmente levando o amor e o sorriso para as crianças, para os carentes, seja de Itaitinga (nossa matriz), seja da capital (Fortaleza), seja de Trairi. Estaremos sempre com um livro na mão.


Ciranda, com Lia de Itamaracá no encerramento, puxado por Mary Pena

Pastoril na abertura com crianças e Kanine Sousa

Dança do Ventre cigana com Mel Rayzel

_Texto: J. Lucas Jr. - memorialista, escritor, coordenador da Biblioteca Comunitária do InsTI - Poeta Arievaldo Vianna. @acervo_lucas

Contato com autora: @glaucialima

Chave Pix: CNPJ do InsTI
23.866.308/0001-10


sábado, 24 de maio de 2025

Enéas Murta – o Artista Plástico no Bar do Seu Nonato

 João Enéas Murta

“Lá no Bar do Nonato é tão bom de beber, conversar blá, blá, blá só pra espairecer” 🎶

BAR DO SEU NONATO


Música e interpretação do Prof. Raimundo
Cassundé e o Violão do Tarcísio Sardinha.

Bar do Seu Nonato - 65 anos

E, no dia Nacional do Café (aqui no Brasil), nossa homenagem vai para quem nos prepara o melhor café no bar, Enéas Murta! O “Nonatinho”, como brincam seus pares lá no bar. Ou, o João Enéas, no falar das irmãs. João Enéas é o eterno “bebezinho de papai” (Teka Murta, irmã). Seu Nonato que partiu em abril de 2023 é eternizado no histórico, aprazível e cultural bar no Benfica, Fortaleza-Ceará.


É isso mesmo que você lê: Café.

                                      com Enéas e seu Nonato – Natal de 2011

Enéas Murta estará, entre 02 a 10 de setembro de 2025, com algumas de suas obras na Mostra Pittorica DI ARTISTI LATINO AMERICANI, América Latina e Chile pelas comemorações do 11 de setembro de 1973, en Palácio Accursio -  Bologna/Italia.🎨 


Porém, antes de ser um bom “cafezeiro”, Enéas é um Artista Plástico de mão cheia e já viveu de sua arte, lá pelos anos 90. De mesa em mesa, em outros tantos bares pela Praia de Iracema e Benfica também.

Quando Cassundé compôs a pérola aí, ele também sabia que esse bar tem muito mais que bebida alcoólica. O Bar do Seu Nonato se transformou em um ponto de cultura no Benfica. Mais um. Suas décadas de existência o faz detentor do respeito de uma boa “galera” de educadores, intelectuais e apreciadores da boa música.

Bico de pena - 21×35-1989

Lugar de artistas, intelectuais e, até de “gente metida a besta”, mas lá num se cria. Vou logo avisando: Enéas Murta, artista plástico, o filho do Nonato mostra logo a “Carinhosa”!

                                        Colagem - 12×15-1992

Enéas é amante de “Jazz, MPB, Blues, Bossa Nova e, principalmente, sou apreciador do velho e bom ROCK IN ROLL!”


O Artista Plástico
Seu primeiro contato com o mundo das artes foi através dos trabalhos de uma amiga: Emília Maria. “Emília desenhava a pastel com seu estilo surrealista e acabei me apaixonando pelo estilo de Salvador Dalí”.  Outro elemento muito importante para sua entrada no mundo das artes foi o Museu de Artes da UFC – Universidade Federal do Ceará, o MAUC, e a Casa de Artes da ASAUFC - Associação dos Servidores da UFC.

 


 “Arrisquei meus primeiros rabiscos fazendo Bico de Pena e logo migrei para Colagem”.

 

Enéas Murta já ministrou algumas oficinas de Origami em escolas públicas e alguns projetos sociais.
Seus dois pintores favoritos são: Gustav Klint e Salvador Dalí 

Participou de exposições e, agora com Elízio Cartaxo e Gleicy Martins, prepara sua próxima exposição. Porém, a primeira será de três de suas artes que compõem o Sonho III. Data já está agendada no Centro de Cultura de Trairi (07/06/25) e no Bar do Seu Nonato (sexta-feira, 13/06/25), no lançamento do dito livro.


Cuba e o Bar
Esse artista plástico é Diretor de Comunicação da Casa da Amizade Brasil-Cuba/CE. Sua admiração e amor pela Ilha de Fidel vem desde a adolescência. Porém, dia desses, foi comigo visitar aquele povo de resistência, luta e solidariedade! Enéas confessa que só quer viajar para fora do Brasil, se for pra lá (risos). Viciou! Mas, Cuba tem disso: vicia mesmo.


Caverna do Cupido
O Bar do Seu Nonato é uma espécie de “caserna” ou como diz nosso dr. Zozó: “Caverna do Cupido”. Vez e/ou outra, pares de enamorados se formam, a começar por esta que vos escreve (risos). Casais, famílias, gerações vão surgindo e frequentando. “Dafé”, aparecem as vovós e/ou vovôs com seus/suas netinhas/os. Afinal, o bar mantém o ar da bodega (mercearia) dos tempos primeiros.


«Vendi mais livros no bar do que na Livraria», assim eu abro o capítulo 6 –
Caverna do Cupido, do livro III da trilogia: Sonho – Uma Magia da Grande Arte, dando exemplo que nesse bar, temos muito mais. E sigo: «Incontáveis vezes passo para um café preparado com canela ou somente uma água. Vocês não vão acreditar, Enéas até nos prepara remedinhos. Verdade, o administrador não bebe, minha gente! Nem coloca em risco o “apurado”». Vale conferir no livro a riqueza de detalhes.

Rua: Padre Francisco Pinto, nº 366 – Benfica, Fortaleza/CE.

Livro e Bar – tudo a Ler!

São tantas emoções no bar, tantas alegrias e raivas também... (risos). Mas, lá confraternizamos sempre. Anualmente com nossos natais, carnavais e, agora também, nossos “Arraiáis”. Foi nessa parceria com o InsTI – Instituto Tonny Ítalo que se consagrou a tradicional festa junina: Arraiá Solidário do InsTI. Lá mesmo, na rua, que a “festança” acontece. O desse ano já tem data certa: sábado, 05/07/25.

Nosso anfitrião e personagem dessa homenagem aqui é o culpado de dias melhores na vida dessa que vos escreve... (risos). Depois de 15 anos de amizade (ou mais), nós nos arriscamos a uma experiência que já vão mais de dois anos!


Aqui (nessa matéria) uma pequena mostra do seu trabalho. Mas, fica a dica: passa lá no Bar, conheça a ele e o lugar que só tem “artista”! ah, compre o livro: Sonho - Uma Magia da Grande Arte e Ajude o InsTI a Ajudar!

Lançamento do Sonho III / sexta-feira, 13 de junho/25.
Em tempo: Rodger Rogério, Enéas Murta e Gláucia Lima - Bar do Seu Nonato.


Rodger Rogério (81 anos), cantor e compositor cearense, professor universitário - ANISTIADO
«A Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania concedeu por unanimidade o status de anistiado político ao professor e artista cearense Rodger Rogério, pela perseguição política sofrida por ele durante o regime militar brasileiro. O caso foi analisado nessa quinta-feira (22), na mesma sessão que concedeu anistia à ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

O cantor e compositor, de 81 anos, ainda receberá uma indenização de R$ 100 mil paga em prestação única, que é o valor máximo permitido. A comissão também decidiu por um pedido de desculpas pelo estado brasileiro.

ainda receberá uma indenização de R$ 100 mil paga em prestação única

 após perseguição na ditadura

"Nós temos a figura de Rodger Franco Rogério, que é um músico que participou de um grupo chamado 'Pessoal do Ceará', e como professor universitário ativista pela democracia foi preso pelo aparato reflexivo e, portanto, passou por uma situação de muita violência estatal", explicou Manoel Moraes, relator do caso. 

"Ele cantou e versou através da sua música gerações de pessoas que encontraram na música, na poesia, na literatura, um lugar de resistência. Ele foi preso, respondeu inquérito acusado de transgredir a lei de segurança nacional e outros crimes como opositor do regime. Diante de toda essa luta ele se tornou um símbolo na região do Nordeste, como sendo uma pessoa que atuou numa dimensão tão importante para a vida humana que é alma da sociedade", destacou Manoel Moraes. 

Após a exposição do pedido, todos os conselheiros votaram a favor, acompanhando o relator.

"Obrigado pela sua luta senhor Roger, nós contamos com suas canções para continuar dançando", disse a presidente da Comissão, Ana Maria Lima, após conceder o título de anistiado político ao cantor. 

A comissão também decidiu por um pedido de desculpas pelo estado brasileiro.»  _fonte: Diário do Nordeste / TV Verdes Mares.


sexta-feira, 4 de abril de 2025

Trairi - 300 anos / Cidade no Litoral Cearense

                                             


  A Colonização de Trairi - 

                                                                                                                       _por J. Lucas Jr.*

Terras indígenas e desinteressantes para Portugal por conta das análises desfavoráveis para a presença de minerais preciosos, “a prata”, o Ceará da Era Colonial ficou subordinado a Pernambuco até 1799. Quaisquer tentativas de explorar a sua área passava pela outra colônia, orientada pela Coroa, que, no intuito de povoar o Brasil, criou as sesmarias.

Segundo Raimundo Girão, tratavam-se de concessão pública de terras mediante pedido escrito em que o pretendente declarava o seu nome ou do beneficiário, o lugar de sua moradia, localização geográfica da terra solicitada e o objetivo que tinha em mente, este, em geral, na região nordestina, visando a criação de gado.

Especificamente sobre Trairi, as expedições de suas cartas foram feitas por capitães-mores, destinadas aos governantes de Pernambuco e por sua vez ao rei. E isso ficou registrado.

Conforme os livros de Sesmarias do Ceará, sob as guardas do Arquivo Público do Estado e publicado por historiadores como Thomaz Pompeu Sobrinho, Estêvão Vicente Guerra foi o primeiro sesmeiro. No livro volume 2, número 103, de 12/03/1706, alegando “riacho deserto e desaproveitado”, solicitou três léguas das terras do Rio Trairi “a começar a água salgada para cima”. Na mesma data, no volume 6, número 421, ele complementou: “principiando onde acaba a água salgada” e “o Trairi estava então deserto”. Ano em que a Câmara de Vereadores de São José de Ribamar localizava-se na Barra do Ceará até 1713, quando foi transferida para Aquiraz.

Em 20/05/1718, José Fernandes Manuel Rabelo, alegando que morava a três léguas da barra do rio Trairi, solicitou parte daquelas terras. Entretanto, em 04/04/1725, a viúva de Estêvão Vicente Guerra, Maria Furtado de Mendonça, pernambucana, com 33 anos, recebeu de concessão, conforme registra o volume 11, número 134 do livro, “as terras que correm da água salgada para cima, até encontrar com a água doce do rio Trairi até topar com as terras que se supõe de José Fernandes, que não as povoou”. Duas léguas e meia, ou seja, tamanho inferior à concessão anterior pelo seu marido, embora se suponha a mesma propriedade.

Acreditamos que, nessa data, 4 de abril de 1725, a sesmeira assumiu a posse de imediato, tendo em vista a falência da família após a Guerra dos Mascates, em Pernambuco e às constantes incursões dos holandeses contra os donos de engenhos. Assim, diante da sua devoção religiosa, católica, ergueu a Capela de Nossa Senhora do Livramento, beirando o rio horizontalmente, muito antes da existência da atual sede do Município. O dia em que, entendemos, marca o inicio da colonização particular de Trairi. Há 300 anos.

Reforçando o nosso entendimento a respeito do tricentenário, destacamos o registro, em formato de diário, relatado ao rei D. João V, pelo experiente militar português (e mulato) João da Maia da Gama, ex-governador da Paraíba, sobre uma jornada a partir do Maranhão, onde chegara em 1719, exercendo a função de capitão-mor, cortando o litoral cearense a pé com a sua comitiva, contando com cerca de cem índios da Serra da Ibiapaba e pisando nas areias do Mundaú a 17 de fevereiro de 1728, onde tivera a ajuda dos anacé para atravessar o barra em meio às chuvas.

No dia seguinte, seguindo no rumo de Fortaleza, à tarde, cortando caminho pelos morros, foi traído pelo temporal que fez parte do seu comboio se perder do grupo na noite molhada e escura. Deu-se, enfim, o encontro com a poderosa de um povoado, Maria Furtado de Mendonça, que providenciou a procura com o devido êxito: ...viemos dormir num sítio chamado Trairy, aonde assiste a viúva D. Maria e chegamos já de noite e com chuva todo o dia, e se perdeu parte do comboio pela muita chuva e escuro, e mandamos guia buscá-lo, e nesse dito sítio uma engenhoca que faz algum açúcar, muita aguardente e tem terras bastantes para canas.

Esse interessante documento, publicado em Portugal somente em 1944, nos dá a certeza da existência da primeira indústria trairiense, em tempos tão longínquos, anterior ao algodão, idealizada por uma mulher que conheceu de perto o principal agente econômico da época, na progressiva Pernambuco, onde seu esposo era produtor de derivados da cana de açúcar. Confirma-se que ela chegou em Trairi devidamente estruturada, com maquinário pesado, e imediatamente posto em prática a cultura açucareira em sua nova moradia ao lado de uma salina, certamente no ano de 1725. Assim, a rapidez do encontro da viúva com a comitiva, que se retirou no dia seguinte, evidencia dona Maria Furtado de Mendonça presente no dito engenho, que se localizaria entre a Canabrava e a atual sede, à beira-rio, com a possibilidade de que ela morasse no local ou mesmo nas proximidades da sua igreja. 

Relevante sobre esse encontro histórico é que João da Maia da Gama foi um dos confiados do Rei D. João V para interceder pelos nobres de Olinda (fazendeiros) durante a Guerra dos Mascates (Recife e Olinda, 1710 a 1711). Fato que, durante o seu desfecho final, em 1711, o esposo de D. Maria Furtado faleceu. Os mascates (ricos comerciantes), queriam Recife como Vila, independente de Olinda, chegando a comprar, em dinheiro, desertores. Aliás, após a vitória dos mascates, o rei o repreendeu, assim como ao bispo, por suposta traição. Sorte deles, pois D. João V reconheceu a derrota dos donos de engenhos e foi habilidoso em evitar novos confrontos. Singular nota para entendermos o interesse de Estêvão Vicente Guerra pelas terras de Trairi e consequente transferência da sua família: a crise do sistema econômico da época em Pernambuco.

 

  *J. Lucas JuniorPesquisador e memorialista. Coordenador da Biblioteca Poeta Arievaldo Vianna do InsTI - Instituto Tonny Ítalo.


Fonte: Pompeu, Sobrinho, Thomaz. Sesmarias Cearenses. Fortaleza, SEDUC, 1979.

 No dia da abertura da XV Bienal Internacional, onde lançamos a obra: Sonho - Uma Magia da Grande Arte, livro 3 da Trilogia de Gláucia Lima, a cidade do litoral cearense, Trairi faz 300 anos. E, homenagem a tão importante data, publicamos esta matéria especial do coordenador da Biblioteca do InsTI, Lucas Jr.: pesquisador, memorialista e coordenador da Biblioteca Poeta Arievaldo Vianna.

Mais: Capítulo especial com a Vila Sonhar e o Coletivo ÚTERA, das idealizadoras Mary Pena e Karine Sousa, respectivamente.

E a notícia: nossa Vila Sonhar, receberá a Biblioteca do InsTI – Dona Chiquinha. Homenagem a Francisca Clotilde (e por que não, à minha mãe dona Francisquinha). 

                           Francisca Clotilde - 

Francisca Clotilde - Escritora e Abolicionista: Pioneira no tema “Divórcio” na literatura brasileira. participou da luta que impulsionou a abolição da escravatura no Ceará, 1º Estado brasileiro a libertar os escravos no País.

https://glaucialimavoz.blogspot.com/2013/11/francisca-clotilde-escritora-e.html

Combativa, mãe e mulher, a escritora cearense Francisca Clotilde aventurou-se no século XIX a “Resistir ao invés de existir!” Dona Chiquinha, como era chamada.

“RESISTIR AO INVÉS DE EXISTIR!” Dona Chiquinha


Escritora e Abolicionista: Pioneira no tema “Divórcio” na literatura brasileira

Francisca Clotilde participou da luta que impulsionou a abolição da escravatura no Ceará, 1º Estado brasileiro a libertar os escravos no País.

Francisca Clotilde - Dona Chiquinha

https://glaucialimavoz.blogspot.com/2013/11/francisca-clotilde-escritora-e.html

Combativa, mãe e mulher, a escritora cearense Francisca Clotilde aventurou-se no século XIX a “Resistir ao invés de existir!” Dona Chiquinha, como era chamada.

 

Chiquinha Gonzaga - Primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. *17/10/1847 - †28/02/1935, também foi a primeira chorona, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca com letra ("Ô Abre Alas", 1899).

Chiquinha Gonzaga lutou pelos direitos autorais. É fundadora, sócia e patrona da SBAT - Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, ocupando a cadeira nº 1

Chiquinha Gonzaga -


Parabéns, Trairi! 👏😍