A pessoa que homenageamos nesta solenidade
é muito especial, criativa, imaginativa, que tem muita luz.
Ela tem uma sensibilidade à flor da pele, uma
pureza de alma como poucos.
Foi ela quem idealizou toda essa situação –
toda essa confraternização que agora nos reúne nesse momento ímpar.
Foi ela quem pensou em fazermos algo
significativo, tão grandioso pra lembrar as lutas, a história e os desafios das
mulheres nos dias de hoje.
É inegável que ela é mesmo uma sonhadora. Uma sonhadora incorrigível, mas confirmando o provérbio: ”um sonho que se sonha só é só um sonho, mas um sonho que todos sonham é realidade” ela compartilhou o seu sonho e hoje temos o FMFI.
Ela é a Gláucia Lima – a nossa querida GLAU SONHADORA!!!
Gláucia coordenadora do Fórum de Mulheres
no Fisco – pensante, atuante e sonhadora."
CursavaBiologianaUniversidade Federal do Rio de Janeiro,
quando se envolveu na política e com outros companheiros ingressou no PC do B,
ficando responsável pelaimprensaclandestina do Partido. Em abril de
1971 mudou-se para oPará, onde passou a
integrar a guerrilha comunista criada na área. Quando se despediu dos pais,
disse que talvez não a tivessem de volta.1:399Casou-se comNelson Lima Piauhy Dourado,
também guerrilheiro, e era membro do Destacamento A da guerrilha, depois
batizado comoHelenira Resende.2
Desapareceu em 2 de janeiro de 1974, em companhia do marido e da
também guerrilheira Maria Célia Corrêa (Rosa) após ataque dasForças Armadasao destacamento.2Cristina, o nome pelo qual era
conhecida na região, anos depois teve sua morte assim descrita pelo mateiro
cearense José Veloso de Andrade, que vivia na região e acompanhou os militares:
"Não
foi combate... quando eles pressentiram a tropa do Exército ela correu .. um
guia atirou nela, o Zé Catingueiro ... deu chumbo mas o chumbo era pouco...
ela não morreu na hora, mas morreu... era a flor da subversão na boniteza."1:401
Quase nua e ferida, foi levada para a base da Bacaba, embarcada
numhelicópteroe desapareceu. O relatório doMinistério da Marinhaatesta que foi morta em 8 de fevereiro
de 1974.2Oficialmente, é dada como
desaparecida.
Uma rua na cidade deCampinas,São Paulo3e uma avenida doRio de Janeiro, no bairro dePaciência,4foram batizados com seu nome. Em 2004,
seu irmão, o atorBreno Moroni,
participou do filmeAraguaia - A Conspiração do Silêncio,
que trata sobre a guerrilha. Em Fortaleza, sua cidade natal, um CUCA foi batizado de Jana Barroso. FMFi - Fórum de Mulheres no Fisco, em Solenidade alusiva ao Março Lilás, dia 28 de março de 2014, lembrando os 50 anos do golpe militar, concedeu-lhe a Comenda "MULHER NO FISCO", homenagem especial às mulheres que no período
sombrio da ditadura militar brasileira tiveram participação efetiva, direta ou
indireta, na luta contra o regime vigente. *Fotos
Intervenção Urbana Os Ex-sem-voto
O
Grupo Aparecidos Políticos, a partir de uma perspectiva da relação entre arte e
política (ou artivismo) realizou, em Fortaleza (CE) uma série de intervenções
urbanas no intuito de discutir questões concernentes ao direito à memória
relacionado à atualidade.
Por Aparecidos Políticos 25/10/2010
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal
Lá lá lá lá laiá
* "Apesar
de Você"é umacançãoescrita e originalmente interpretada pelocantorecompositorbrasileiroChico Buarqueem1970,1 lançada inicialmente comocompacto
simplesnaquele mesmo ano. A canção, por lidar
implicitamente com a falta de liberdades durante aditadura militar, foi
proibida de ser executada pelas rádios brasileiras pelo governo do generalEmílio Garrastazu Médici. No
entanto, seria liberada oito anos mais tarde, durante o final do governo deErnesto Geisel. Além disso, a
cantoraClara Nunes, que regravou a
canção sem saber de seu tema implícito, viu-se obrigada a se apresentar nas
Olimpíadas do Exército de 1971 para compensar o mal-entendido.
Em março de1970,
Chico Buarque retornou ao Brasil após umautoexíliode mais de um ano naItália.2 Seu retorno fora influenciado porAndré Midani, diretor de sua
gravadora, aPhilips, que
lhe assegurou "estar melhorando a situação no Brasil".23 No entanto, a realidade encontrada
pelo cantor era bem diferente daquela descrita nas cartas de Midani; atorturae o desaparecimento de pessoas contrárias ao regime eram
frequentes, assim como oufanismopresente em adesivos de carros (comoBrasil,
ame-o ou deixe-o eNinguém segura esse país)3 e em algumas canções populares4 (como "Pra Frente Brasil"),
que só foi agravado pela conquista do tricampeonato daSeleção Brasileira de FutebolnaCopa do Mundo de 1970.3 O cantor externou seu desapontamento
na canção, onde a crítica à ditadura era disfarçada como uma briga entre
namorados.23 Ao enviar a canção para odepartamento de censura,
Chico imaginou que a letra da canção seria vetada, mas acabou sendo liberada.4
A canção foi lançada
no formatocompacto simplese atingiu a marca de cem mil cópias vendidas.43 Além disso, o samba estourou nas
rádios de todo o país.3 A canção virou mania nacional e
acabou sendo regravada porClara Nunesem 7 de janeiro de 1971.3 Ela também acreditava que a letra da
canção se tratava de uma briga entre namorados.
Censura
Em fevereiro de 1971, o jornalistaSebastião Nery, doTribuna da
Imprensa, publicou uma nota em sua coluna dizendo que seu filho
e os colegas dele cantavam "Apesar de Você" como se estivessem
cantando oHino Nacional.3Como
resultado, Nery foi chamado para depor na polícia.3Semanas
depois, a execução pública da canção foi vetada pelo governo, que finalmente
compreendeu sua mensagem.23Os
oficiais do regime invadiram a sede da Philips e destruíram as cópias restantes
do disco.43O
censor que aprovou a canção também foi punido.23Os
oficiais do governo, no entanto, não destruíram a matriz,3o
que possibilitou a reedição da versão original da gravação.2Num
interrogatório, Buarque foi indagado sobre quem era o"você"da letra da canção.4"É
uma mulher muito mandona, muito autoritária", teria respondido o cantor.43
A censura de "Apesar de Você" teve um impacto negativo
no relacionamento entre Chico e os censores, que duraria até o final da
ditadura.2Chico
seria implacavelmente marcado pelos censores, sofrendo suas letras as mais
absurdas rejeições.2A
situação chegou ao ponto de ele se disfarçar, sob os pseudônimos de Julinho da
Adelaide e Leonel Paiva, para aprovar três composições, uma das quais,
"Acorda Amor", foi incluída no LPSinal Fechadode 1974.2Descoberta
a farsa, a censura criou novas exigências: toda letra apresentada teria que ser
acompanhada de cópias dacarteira de
identidadee doCPFdo compositor.25
Devido à censura, a canção só seria incluída num álbum do cantor
em 1978, quando foi lançada como última faixa deChico Buarque
(1978).
Consequências
para Clara Nunes
De maneira semelhante, o presidente daOdeon, Henry Jessen, que era advogado, foi
intimado para dar explicações sobre as intenções de Clara Nunes ao regravar a
canção.3Jessen,
que mantinha um ótimo relacionamento com os militares, fez um acordo com o
governo para colocar um fim ao mal-entendido e provar que Clara não teve
qualquer intenção político-partidária ao regravar "Apesar de Você".3Ficou
combinado que a cantora gravaria, numcompacto simples, o "Hino das Olimpíadas
do Exército", composto porMiguel Gustavo, publicitário responsável por
"Pra frente, Brasil".3Também
interpretaria a canção na cerimônia de abertura das Olimpíadas do Exército de
1971 emBelo Horizonte.3Clara
se apresentou ao lado de Luiz Cláudio, que não esteve ciente do motivo pelo
qual seria acompanhado pela cantora.3
Assim como Clara, outros artistas se viram obrigados a fazer
publicidade para o governo.3Em
1972,Elis Reginafoi
convocada pelos militares para cantar o Hino Nacional durante as festividades
do sesquicentenário daIndependência.3Isto
porque havia declarado à imprensaholandesaque o Brasil era governado por
"gorilas".3Temendo
represálias, aceitou o "convite".
"Terra do Sol, do Amor, Terra da Luz!" Ceará, Estado do Nordeste do Brasil, recebe o Título de TERRA DA LUZ devido ter sido o 1° estado brasileiro a Libertar os escravos no País. Ceará aboliu escravidão quatro anos antes da Lei Áurea. 1º lugar a acabar com o trabalho escravo no País. Antes mesmo de assinada a lei de 13 de maio de 1888, em 25 de março de 1884. Dragão do Mar "Em janeiro de 1881, ouviu-se em Fortaleza o grito: "No porto do Ceará não se embarcam mais escravos!" Vinha de um grupo de jangadeiros liderados por Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde. Com o apoio da população e até mesmo de militares, eles decidiram não mais fazer o transporte de negros até o porto - a profundidade da região não permitia que os navios atracassem. O governo manda tropas, mas não consegue obrigar os jangadeiros a retomar a travessia. Chico é demitido do posto de prático na Capitania dos Portos..."
"A emancipação do Ceará foi o acontecimento decisivo para a causa abolicionista" Joaquim Nabuco
"Terra da Luz", no dia 25 de Março no Estado do Ceará, a Luz é mais intensa, lembrando @s que lutaram pra apagar a MÁCULA da escravidão! e nessa ação, a ativa participação das Mulheres que impulsionaram o Estado a ser o 1º no país a abolir a escravidão!!! o/ "Terra do Sol, do Amor, Terra da Luz!" Ceará, Estado do Nordeste do Brasil, recebe o Título de TERRA DA LUZ devido ter sido o 1° Estado brasileiro a Libertar os escravos no País. Ceará aboliu escravidão quatro anos antes da Lei Áurea. 1º lugar a acabar com o trabalho escravo no País. Antes mesmo de assinada a lei de 13 de maio de 1888, em 25 de março de 1884.
Ser ¡Voz! http://glaucialimavoz.blogspot.com.br/
Hino do Ceará Terra do sol, do amor, terra da luz! Soa o clarim que a tua glória conta! Terra, o teu nome a fama aos céus remonta Em clarão que seduz! Nome que brilha - esplêndido luzeiro Nos fulvos braços de ouro do cruzeiro! Mudem-se em flor as pedras dos caminhos! Chuvas de pratas rolem das estrelas E despertando, deslumbrada ao vê-las Ressoe a voz dos ninhos Há de florar nas rosas e nos cravos Rubros o sangue ardente dos escravos Seja o teu verbo a voz do coração Verbo de paz e amor do Sul ao Norte! Ruja teu peito em luta contra a morte Acordando a amplidão Peito que deu alívio a quem sofria E foi o sol iluminando o dia! Tua jangada afoita enfune o pano! Vento feliz conduza a vela ousada Que importa que teu barco seja um nada Na vastidão do oceano Se à proa vão heróis e marinheiros E vão no peito corações guerreiros? Se, nós te amamos, em aventuras e mágoas! Porque esse chão que embebe a água dos rios Há de florar em messes, nos estios E bosques, pelas águas! Selvas e rios, serras e florestas Brotem do solo em rumorosas festas! Abra-se ao vento o teu pendão natal Sobre as revoltas águas dos teus mares! E desfraldando diga aos céus e aos mares A vitória imortal! Que foi de sangue, em guerras leais e francas
E foi na paz, da cor das hóstias brancas!
Segundo referência feita por José Liberal de Castro (no livro “Alberto Nepomuceno e o Ceará”, 1995), “o hino cearense nasceu a partir de decisão tomada por intelectuais cearenses, quando resolveram festejar solenemente o tricentenário da fundação do Ceará, assim considerada pela vinda dos primeiros portugueses ao nosso território, tendo à frente Pero Coelho de Sousa, ocorrida em 31 de Julho de 1603, o marco cronológico mais antigo da história cearense”.
Ainda de acordo com o relato de José Liberal de Castro, o Barão de Studart, presidente da comissão organizadora dos festejos, pediu a Alberto Nepomuceno que compusesse o Hino do Ceará, cuja execução figuraria como evento triunfal das comemorações. Ao enviar-lhe a partitura musical, mandou-lhe acompanhada de carta dirigida ao Barão de Studart, publicada no jornal de Fortaleza, então em circulação, “A República”, edição de 29 de Julho de 1903, com tópicos a seguir reproduzidos:
Com letra de Thomaz Pompeu Ferreira Lopes, orquestração e regência do maestro Zacharias Gondim, o Hino do Ceará foi executado pela primeira vez no dia 31 de julho de 1903, por um coro de alunas da Escola Normal de Fortaleza e acompanhado pela Banda do Batalhão de Segurança Pública do Ceará, em sessão solene realizada na Assembleia Legislativa do Ceará, presidida pelo Presidente do Estado, Dr. Pedro Augusto
Na antiga "Assembléia Provincial", Palacete Thomaz Pompeu, hoje Museu do Ceará.
O Poeta
Jessier Quirino é o "grande menestrel" do pensamento popular
nordestino nestes tempos atuais e desde alguns anos. Memória extraordinária,
tem muita variedade nas histórias que conta e cita. Indo, desde a poesia matuta,
impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, cocos,
cantorias músicas, piadas e textos com grande apuro de nordestinidade. (Homenagem ao Poeta no Dia Nacional da Poesia - 14 de Março - Gláucia Lima)
Dono de um estilo próprio "domador de palavras" - até discutido em sala de aula - de uma verve apurada e de um extremo preciosismo no manejo da métrica e da rima, o poeta, ao contrário dos repentistas que se apresentam em duplas, mostra-se sozinho feito boi de arado e sabe como prender a atenção do distinto público.
Preenchendo uma lacuna deixada pelos grandes menestréis do pensamento popular nordestino, o poeta Jessier Quirino tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias, que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, côcos, cantorias músicas, piadas e textos de nordestinidade apurada.
Nos espetáculos com fundo musical, apresenta-se acompanhado de músicos de primeira grandeza, entre os quais, dois filhos, que dão um tom majestoso e solene ao recital. São eles: Vitor Quirino (violão clássico), André Correia (violino) e Matheus Quirino (percussão). Os músicos Letinho (violão) e China (percussão) atuam nos espetáculos mais elaborados.
Apesar de muitos considerá-lo um humorista, opta pela denominação de poeta, onde procura mostrar o bom humor e a esperteza do matuto sertanejo, sem, no entanto fugir ao lirismo poético e literário.
Sobre Jessier, disse o poeta e ensaísta Alberto da Cunha Melo: "...talvez prevendo uma profunda transformação no mundo rural, em virtude da força homogeneizadora dos meios de comunicação e das novas tecnologias, Jessier Quirino, desde seu primeiro livro, vem fazendo uma espécie de etnografia poética dos valores, hábitos, utensílios e linguagem do agreste e do sertão nordestinos. ... Sua obra, não tenho dúvidas, além do valor estético cada dia mais comprovado, vai futuramente servir como documento e testemunho de um mundo já então engolido pela voragem tecnológica."
MINI-CURRÍCULO
Arquiteto
por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no
ano de 1954 na cidade de Campina Grande, Paraíba e é filho adotivo de Itabaiana
também na Paraíba, onde reside desde 1983.
Filho de
Antonio Quirino de Melo e Maria Pompéia de Araújo Melo e irmão mais novo de
Lamarck Quirino, Leonam Quirino, Quirinus Quirino e irmão mais velho Vitória
Regina Quirino.
Estudou em
Campina Grande até o ginásio no Instituto Domingos Sávio e Colégio Pio XI. Fez
o curso científico em Recife no Esuda e fez faculdade de Arquitetura na UFPB --
João Pessoa, concluindo curso em 1982. Apesar da agenda artística literária
sempre requisitada, ainda atua na arquitetura, tendo obras espalhadas por todo
o Nordeste, principalmente na área de concessionárias de automóveis.
Na área
artística, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho
artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso
e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras.
Interessado
na causa poética nordestina persegue fatos e histórias sertanejas com olhos e
faro de rastejador. Autor dos livros: "Paisagem de Interior"
(poesia), "Agruras da Lata D`água" (poesia), "O Chapéu Mau e o
Lobinho Vermelho" (infantil), "Prosa Morena" ( poesia e
acompanha um pires de CD ), "Política de Pé de Muro - O Comitê do
Povão" ( legendas e imagens gargalhativas sobre folclore político popular
), CDs: "Paisagem de Interior 1 e Paisagem de Interior 2", o livro:
"Bandeira Nordestina" (poesia e acompanha um pires de CD), A Folha de
Boldo Notícias de Cachaceiros - em parceria com Joselito Nunes -- todos
editados pelas Edições Bagaço do Recife - além de causos, músicas, cordéis e
outros escritos.
Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito inda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar
“A Mutilação Genital Feminina é uma violação dos
Direitos Humanos!” Amnistia Internacional*
No passado dia 6 de Fevereiro foi o dia Internacional de
Tolerância Zero à Mutilação Feminina!
É uma prática que tem sido definida e estudada por diversas
organizações, sendo que a Amnistia Internacional define a Mutilação Genital
Feminina (MGF) como incluindo “todas as intervenções que envolvam a remoção
parcial ou total dos órgãos genitais femininos externos, ou que provoquem
lesões nos órgãos genitais femininos por razões não-médicas”.
Apresentada por quem a defende como uma tradição ancestral, com
raízes religiosas, a verdade é que a MGF é uma grave ameaça à saúde de
crianças, jovens e mulheres adultas: inclui danos ao nível da saúde mental,
sexual e reprodutiva; reforça a vulnerabilidade ao VIH; incrementa riscos
obstétricos, com consequências fatais.
Tal mutilação é uma
afronta aos direitos das mulheres e crianças.
Concretamente, a prática consiste na remoção de uma parte ou a
totalidade dos órgãos sexuais de mulheres e crianças. Há vários tipos e com
gravidades diferentes. Segundo as várias tradições, são removidos o clitóris ou
os lábios vaginais. Uma das práticas de maior gravidade – a chamada infibulação
– consiste na costura dos lábios vaginais ou do clitóris, deixando uma abertura
pequena para a urina e a menstruação. A MGF é levada a cabo em várias idades,
desde depois do nascimento até à primeira gravidez, tendo a maioria lugar entre
os quatro e oito anos.
Existindo em cerca de 30 países, de África, Médio Oriente e
Ásia, esta prática cruel tem também expressão em comunidades imigrantes na
Europa, América do Norte e Austrália, onde nas últimas décadas, chegaram e aí
se fixaram muitas pessoas oriundas de regiões onde esta prática tradicional
nefasta existe e, também por isso, os Governos e as ONG’s não a podem ignorar,
nomeadamente quando praticada nos seus territórios nacionais. Em Portugal
também há registo de casos!
Para a combater, é importante, desde logo, ter-se consciência de
que tal costume não é uma regra religiosa, já que nenhuma religião a defende ou
obriga. A MGF é transversal a muitas religiões, embora seja, comum e
erradamente, maioritariamente associada a comunidades muçulmanas ou islâmicas,
a circuncisão feminina baseia-se apenas na ancestralidade do costume. Veja-se,
por exemplo, que de entre os 114 capítulos do livro sagrado islâmico, não há um
que aponte claramente para a obrigação ou necessidade da mutilação feminina. O
mesmo se podendo dizer quanto ao livro sagrado dos católicos. Não obstante,
este costume vai logrando continuidade, advogando-se argumentos falaciosos:
afirma-se que é uma maneira de manter viva a identidade cultural; uma forma de
coesão social através do sentimento de pertença à comunidade e uma forma de
purificação espiritual.
Evidentemente, a Amnistia Internacional respeita a
autodeterminação dos povos. Ela é também um direito fundamental, bem como a
liberdade religiosa. E preconizamos também a existência simultânea de culturas
diferentes, mas não podemos conceder que exista seja que cultura for que
condicione a dignidade, a vida e a saúde de outros seres humanos! E por isso
recusamos que os princípios da liberdade religiosa e da preservação de
diferentes culturas possam ser invocados para permitir uma ofensa tão gritante à
dignidade humana como é a mutilação genital!
Defendendo os Direitos Humanos como valores básicos de cada ser
humano, a Amnistia Internacional obviamente condena a amputação de órgãos
perfeitamente saudáveis, sendo tal mutilação uma afronta aos direitos das
mulheres e crianças.
Os relatórios da especialidade mostram que entre 100 a 140
milhões de mulheres adultas, crianças e jovens são vítimas de Mutilação Genital
Feminina e que, a cada ano, cerca de 3 milhões estão em risco.
Sensibilizar é a palavra de ordem! Erradicar esta prática é o
objetivo!
Colabore conosco, pelos Direitos Humanos!
"A
Deusa torna o corpo e vida sagrados: o seu órgão simbólico é o útero e o seu
órgão de conhecimento é o coração. Tanto o coração como o útero são vasos pelos
quais a vida desperta. Um sustenta a vida, o outro traz novas vidas ao
mundo."
_*Fonte: Núcleo de Chaves da Amnistia
Internacional