domingo, 2 de setembro de 2012

Sonho - Fernando Pessoa / Le Rêve - Pablo Picasso

Há 125 anos nascia o consagrado e conhecido poeta Fernando Pessoa –

Fernando António Nogueira Pessoa, consagrado e conhecido poeta, Fernando Pessoa, foi também poeta, filósofo e escritor português. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões.
Nasceu em 13/06/1888 em Distrito de Lisboa – Portugal e faleceu em 30/11/1935 em Lisboa, Portugal. Media 1m e 73cm 

Um convite ao leitor a esquecer a realidade e mergulhar no mundo surreal dos sonhos.❞ 
Gláucia Lima
Le Rêve (francês, “o sonho”) pintura a óleo por Pablo Picasso/1932, então 50 anos velho, retratando seu mistress Marie-Thérèse Walter dos anos de idade 22. Diz-se ter sido pintado em uma tarde, em 24 de janeiro 1932. Pertence ao período de Picasso de descrições distorcidas, com seus esboços demasiadamente simplificados e cores contrastadas que se assemelham a Fauvism. Adiantado.
O índice erótico da pintura foi anotado repetidamente, com os críticos que indicam que Picasso pintou um pênis ereto, simbolizando presumivelmente seus próprios, na cara revolvida de seu modelo.
Nesta obra Picasso retratou uma mulher dormindo em uma cadeira, apresentando uma arte colorida e abstrata.
Fernando Pessoa
“De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos.”  
Entre o Sono e o Sonho

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,

Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito

A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim

Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.


Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso. Fernando Pessoa
Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo.
 
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento. 

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.
Dever de Sonhar  

Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre, 
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo, 
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso. 
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas 
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho 
entre luzes brandas e músicas invisíveis. Fernando Pessoa
Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? Fernando Pessoa
Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso. 
“Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.” 
    Sonho. Não Sei quem Sou

Sonho. Não sei quem sou neste momento. 
Durmo sentindo-me. Na hora calma 
Meu pensamento esquece o pensamento, 
Minha alma não tem alma. 

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo 
Parece que erro. Sinto que não sei. 
Nada quero nem tenho nem recordo. 
Não tenho ser nem lei. 

Lapso da consciência entre ilusões, 
Fantasmas me limitam e me contêm. 
Dorme insciente de alheios corações, 
Coração de ninguém. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"


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